14 Nov 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Sábado, 07 Julho 2018 13:17

Copa reflete país em luta consigo mesmo

- Brasilia! Brasilia! Vai Brasilia!

É metade do segundo tempo, e a torcida que empurra o Brasil contra os belgas não são os dois terços de torcedores brasileiros na Arena Kazan, e sim os russos que, com a camisa do Brasil, não entendem como o brasileiros, que têm o melhor time do mundo, deixam de apoiar a seleção nacional - e resolvem tomar o seu lugar.

Sexta, 06 Julho 2018 11:14

A esperança no trem para Kazan

São 18:50 e o velho trem com ar soviético parte da plataforma 2 da Kasanskiy Voksal, com parada 11 horas depois em Kazan, antes de seguir por mais um dia e meio a Barnaul, numa viagem transcontinental.

Para lá rumam os brasileiros, vindos de vários lugares, carregando suas esperanças.

Quinta, 05 Julho 2018 14:58

Polônia afasta juízes em massa

O governo polonês aposentou numa só penada 27 dos 72 juízes da Suprema Corte, incluindo seu presidente.

O Partido da Justiça e da Lei, mais um de extrema direita a emergir na política, acusa o grupo de ser obstrucionista simpático ao comunismo.

As ruas das principais cidades do país foram tomadas por manifestantes, que protestaram contra a queda dos juízes. E temem o afastamento do país da União Europeia, pelo rumos dos acontecimentos.

A Corte Nacional de Justiça do Equador, solicitou à Interpol a prisão e extradição do ex-presidente Rafael Correa, que vive em Bruxelas.

Ele é acusado por um ex-deputado, Fernando Balda, de ter ordenado seu seqüestro, em 2012, quando o opositor vivia na Colômbia. Balda foi colocado à força em um carro que terminou interceptado pela polícia local antes de cruzar a fronteira.

A corte, equivalente no país ao Supremo, havia dado ordens para que Correa se apresentasse a cada quinze dias, em Quito. O político apareceu na embaixada do país, na Bélgica. Os ministros, agora, querem sua prisão. Parte da onda de esquerda que assumiu o poder no continente, Correa vive fora do Equador desde que deixou a presidência, em maio.

O empresário Eike Batista foi condenado a 30 anos de prisão, mais multa de R$ 53 milhões pelo juiz Marcelo Bretas, que acatou acusação feita pelo Ministério Público de que ele pagou propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

No mesmo processo, Cabral foi condenado a mais 22 anos e oito meses. Sua mulher, Adriana Ancelmo, a mais 4 anos e seis meses.

O empresário mais reluzente do Rio nas últimas décadas chega assim ao fundo do seu inferno. O do ex-governador, porém, é mais embaixo. Com 15 mandados de prisão no Rio e oito em São Paulo, a Polícia Federal deflagrou a Operação Fatura Exposta, atrás de corrupção na Secretaria de Saúde na sua gestão.
Não havia área na gestão Cabral que fugisse ao seu estilo.

A polícia russa é discreta, mas presente, e firme. Depois de verificada a bolsa, a entrada do Kremlin foi liberada.

O mundo virtual facilitou espalhar notícias falsas, interesses de todos os tipos, disfarçados de interesses do bem comum, numa época que coincide com a falencia dos veículos de imprensa tradicionais, substituídos pela comunicação política, político-corporativa ou corporativista.

A construção de uma falsa realidade a partir de um grupo minoritário de interesses aproveita períodos de turbulência real para espalhar ideias absurdas, que, por alcançarem um grande número de pessoas pelos meios virtuais, podem parecer hegemônicas.

A crise do protesto dos caminhoneiros foi uma dessas oportunidades: deu margem aos aproveitadores para espalhar ideias e falsos acontecimentos, danosos ao país. Como o andamento de uma suposta intervenção militar, que chegou a contaminar os debates no Congresso Nacional, ou a deposição de Michel Temer.

O protesto está chegando ao fim, o abastecimento vem sendo normalizado, e é hora, agora, de rever realmente o país. Não para espalhar o caos, burlar as instituições e ameaçar a democracia, e sim para implantar um projeto construtivo de forma a recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento sustentado e da justiça social.

O presidente Michel Temer achava que estava tudo bem. Chegou até a ensaiar uma candidatura à presidência, achando que a economia estava voltando a crescer, a intervenção no Rio lhe daria popularidade e sairia dessa para a glória.

Achava.

Bastou o protesto dos caminhoneiros, que não querem sofrer mais a sangria produzida pelo governo no já sofrido povo brasileiro, para mostrar como é precária a estabilidade brasileira.

E acordou o governo de repente para a realidade de 13 milhões de desempregados e duas centenas de milhões de insatisfeitos, que clamam por mudanças. Nem estão reclamando dos agentes do caos, que criaram no seu rastro um clima de desordem, congestionamentos nas estradas, carestia galopante dos produtos em falta, a paralisação de serviços públicos como o transporte coletivo e o desabastecimento em geral. Ao contrário, dividem com os 2 milhões de trabalhadores das estradas o sentimento de que não é mais suficiente bater panelas para acordar e espantar os vampiros de Brasília. 

A Polícia federal, numa operação denominada Efeito Dominó, prendeu uma quadrilha de doleiros que trabalhava para as operações fraudulentas investigadas pela Lava Jato. Era encabeçada pelo "embaixador do tráfico", Luiz Carlos Rocha, o "Cabeça Branca", considerado chefe da organização, preso desde junho do ano passado.