14 Nov 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Quarta, 03 Outubro 2018 15:41

O PSDB diante da sua hora da verdade

Faltando cinco dias para a votação em primeiro turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou e promulgou um manifesto em defesa do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Contando com o próprio FHC, o documento tem 91 assinaturas de notáveis do tucanato, incluindo economistas e cientistas políticos. Parece, contudo, mais uma exortação do capitão que antevê o iminente naufrágio.

Quarta, 26 Setembro 2018 18:49

A aposta da elite em Temer deu errado

Certa noite, jantando na casa da empresária Cosette Alves, ex-dona do magazine Mappin, o banqueiro Olavo Setúbal, foi perguntado se votaria em Lula, então na disputa que o levaria pela primeira vez à presidência da República.

"Meu filho", disse ele, "eu sou riquíssimo. Não voto no Lula. Mas elejo."

Quinta, 20 Setembro 2018 11:08

Bolsonaro é o candidato de Lula

Pode-se pensar do ex-presidente Lula o que se quiser, mas não se pode deixar de reconhecer seu gênio e sua dimensão histórica. Sua prisão e a forma como passou a manipular a eleição presidencial a partir da cadeia certamente passarão como mais uma história lendária de uma biografia já quase sobrenatural. Lula vive agora na cadeia como um jogador. Como bom jogador, somente no final é que se sabe qual é o seu jogo e o trunfo que carrega na manga. E o trunfo de Lula é uma figura:  Jair Bolsonaro.

Sexta, 14 Setembro 2018 16:13

A eleição de 2018 já tem um perdedor

Os números das pesquisas eleitorais deixam muito claro o que está em jogo nestas eleições: algo muito maior e mais profundo do que simplesmente escolher o próprio presidente, os governadores e o legislativo.

O que está sendo testado é o funcionamento do sistema republicano e do regime democrático no Brasil.

Sexta, 07 Setembro 2018 21:14

Um país refém dos golpes do destino

O Brasil é um país com problemas bem definidos, que pede um plano de recuperação econômica e uma reestruturação constitucional que permitam diminuir a corrupção e fazer a nossa democracia representativa funcionar melhor. Depende de um plano de governo eficaz, coerente e de curto, médio e longo prazo. Porém, não é a  melhor proposta para isto que vai decidir a eleição.

O jogo político em 2018 vai ser resolvido muito menos pelo plano de governo que pela emoção. Esta campanha tem sido mais uma vez tragada pelas correntes do destino, pelo imponderável, que pela razão.

A constatação de que Lula cresceu nas pesquisas, dentro da cadeia, revela duas coisas sobre a política brasileira hoje. Uma é que maior parte do eleitorado age apenas no seu próprio interesse, indiferente à ética ou mesmo à lei. Só isso explica 37% dos eleitores quererem a volta de Lula, movimento que ele anteviu muito bem (como Getúlio, que primeiro foi ditador e depois voltou eleito, ou como ele mesmo lembrou, Mandela, que na cadeia virou mito e saiu dela presidente).

O outro dado é que a manutenção de Lula candidato, pelo tempo que conseguir, só favorece Jair Bolsonaro, que é a reação automática e também radical ao desempenho de Lula. Bolsonaro depende do fenômeno do lulismo para se manter onde está. E, Lula crescendo, a reação extremada cresce também. Quando Lula sair da disputa, o que parece ser apenas uma questão de tempo, Bolsonaro na melhor posição que jamais poderia de oura forma alcançar.

Diversos sinais recolhidos do noticiário mostram que o ex-presidente Lula, assim como Marcola, o chefe do PCC, tem comandado a sua organização a partir da cadeia, com incrível liberdade.

O Marcola da política, segundo se entende agora, está por trás de uma série de acontecimentos que têm afetado o rumo da eleição no país. Seria dele, por exemplo, a intervenção que fez o empresário Josuel Alencar mudar de ideia e recusar ser vice na chapa de Geraldo Alckmin. Alencar, como se sabe, é filho de José de Alencar, o falecido ex-vice de Lula em seus dois mandatos.

Também da cadeia, por meio de seus intermediários, como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Lula teria mandado recado a Valdemar da Costa Neto para que manobrasse o Centrão longe de Ciro Gomes. Na hora H, como se viu, o acordo encaminhado com Gomes foi desfeito. E o Centrão foi parar nas mãos de Geraldo Alckmin, que, se por um lado ganhou mais tempo na TV, de outro ficou  ainda mais com a cara do atual governo.

O presidente Donald Trump não vê nenhum problema, assim como o presidente brasileiro Michel Temer, em fazer coisas do arco-da-velha e voltar atrás. Ocorre que vai sofrendo desgaste - em coisas bem mais sérias do que a caricatura com a qual o mundo se acostumou.

Estou na fila do avião em Moscou, retornando a Roma depois de assistir em Kazan a Brasil e Bélgica, e me posto diante de um balcão aberto da Alitalia para fazer o check in.

Na fila ao lado, um brasileiro reclama.

- Estos aqui há meia hora, vocês precisam passar para trás desta fila em que estamos aqui.

O pessoal atrás dele resmunga também. A atendente daqueles passageiros está ocupada com outra coisa e eles estão ali parados. Como não foram atendidos, querem administrar a fila ao lado para ninguém ser atendido ali também.

Para não criar confusão, eu e mais outros dois passageiros recém chegados vamos para trás da fila deles, como solicitado. Ao chegar lá atrás, passa um atendente da companhia aérea, que não tem nada a ver com a brasileiragem, e nos manda expressamente de volta para o balcão livre, com algumas palavras ríspidas em italiano.

Um desembargador que já contribuiu com campanha de deputado do PT, trabalhando na surdina do domingo, foi o golpe jurídico que o PT tentou perpetrar para soltar o ex-presidente Lula. O juiz Sergio Moro, com apoio da Polícia Federal, que não atendeu ao magistrado, que requeria a soltura “em uma hora”, mandou a decisão para o TRF, e este manteve a prisão. Um festival bizarro, que deixa o país atônito diante do terrorismo jurídico cuja única finalidade é desestabilizar o processo político no ano da eleição presidencial.