13 Jul 2020
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Sexta, 21 Dezembro 2018 21:11

O suicídio da Editora Abril

Em março de 2013, almocei num restaurante da Vila Madalena com o então secretário editorial da Editora Abril, Alfredo Ogawa, que vinha em nome do Roberto Civita me fazer uma pergunta. "Você gostaria de dirigir o Grupo Playboy?", quis saber.

Sexta, 21 Dezembro 2018 11:16

Um tragédia que ainda pulsa

A jornalista Cristina Serra passou os últimos dois anos trabalhando em um ambicioso projeto: escrever um livro-reportagem sobre Mariana, onde o estouro da barragem do Fundão atirou uma avalanche de lama, areia e rejeitos de minério de ferro sobre a cidade histórica, deixando um rastro de morte e desolação por mais 660 quilômetros abaixo no rio Doce.

Mais conhecida como repórter do Jornal Nacional e do Fantástico da Rede Globo, onde cobriu política em Brasília e trabalhou como correspondente em Nova York, hoje também colunista de A República, Serra é um caso raro de jornalista que trafega bem em todos os tipos de veículo.

Assim como seu colega Caco Barcelos, autor de Abusado e outros best sellers, e Paulo Markun, de O Brado Retumbante e obras premiadas, ela se mostra tão à vontade no texto quanto diante da câmera de TV. E produziu, em livro, uma reportagem que tem um impacto tão visual para o leitor que parece ser lido como quem vê um documentário.

Sábado, 08 Dezembro 2018 12:18

Sim às reformas. Mas que reformas?

Tomando como uma amostra representativa três deputados de diferentes partidos que participaram de um evento na sexta-feira (leia aqui), podemos chegar às seguintes conclusões sobre como será o novo Congresso Nacional, pelo menos na Câmara:

A primeira universidade da América, a Universidade de Santo Domingo, foi fundada em 1538. A segunda, no Peru, em 1551: a Universidade Maior de São Marcos, em Lima. Foram inspiradas nas celebradas universidades espanholas de Salamanca, de vertente humanista, e Alcala, católica.

No Brasil, nada.

Em 1636, quando foi fundada a Universidade de Harvard, já havia 16 escolas de ensino superior na América espanhola, incluindo o Chile e o México, e ainda nenhuma no Brasil.

No período colonial, a América Espanhola formou cerca de 150.000 universitários, enquanto os 2.500 graduados brasileiros se formaram na Universidade de Coimbra, que detinha a reserva de mercado para a formação de ensino superior dos habitantes da colônia.

Tem circulado pelo WhasApp um texto atribuído ao editor Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, incentivando as pessoas a comprarem livros neste Natal, por "amor ao livro", e para ajudar o mercado a reerguer-se, após o pedido de concordata das livrarias Cultura e Saraiva. Responsáveis por quase metade do faturamento do mercado, sua inadimplência ameaça agora levar de roldão também as editoras brasileiras.

Terça, 27 Novembro 2018 16:39

A política do pragmatismo

Político experimentado em quase três décadas no Congresso, o presidente eleito Jair Bolsonaro aos poucos mostra ter uma estratégia própria para superar uma dificuldade de seu futuro governo - o fato de seu partido possuir menos de 10% das cadeiras no Congresso, correndo o risco de cair, com ocorreu com o PT e o PSDB, na política de troca de favores para obter maioria, de forma a aprovar seus projetos. A nomeação dos seus dois principais interlocutores com o Congresso mostra como Bolsonaro pretende escapar dessa armadilha, mudando a relação do Executivo com o Legislativo.

Ainda no início da campanha eleitoral, o presidente eleito Jair Bolsonaro visitou a cidade de Araxá, no triângulo mineiro, para ver as escavações de nióbio feitas pelas mineradoras que exploram a região. Deixou registrado um vídeo no Youtube, com seu entusiasmo. "Se o Estados Unidos têm o Vale do Silício, podemos ter aqui o Vale do Nióbio", disse ele.

 Bolsonaro acertou num outro alvo. No Vale do Silício, apesar do nome, não há nenhuma exploração de silício, embora esteja lá a grande fonte de recursos da economia americana e global, responsável pela brutal concentração de renda mundial nos Estados Unidos. Ali não existe extração mineral: "Vale do Silício" é uma referência metafórica às empresas de alta tecnologia, que ali gravitam em torno de uma universidade e da verdadeira fonte de riqueza do mundo contemporâneo: a educação.

Quinta, 22 Novembro 2018 16:09

Por que a escola não deve ter partido

POR THALES GUARACY

Uma das mais impressionantes cenas da coletânea de peças "Terror e Miséria no Terceiro Reich", de Bertold Brecht, narra o jantar de dois pais, cuja conversa vai se transformando em uma escalada da paranoia, na medida em que esperam o filho chegar da escola - e ele começa a demorar.

 Brecht lembra como o regime nazista doutrinava as crianças no ambiente escolar, fazendo os pais temerem os próprios filhos, que podiam denunciá-los por subversão, com qualquer motivo arbitrário - até vingança por uma pequena bronca. A discussão frenética dos pais, receosos de estarem sendo denunciados, e seu medo crescente da prisão, revelam a base de qualquer sistema totalitário, como o nazi-fascismo de Adolph Hitler, capaz de instalar o terror até dentro de casa.

A peça de Brecht serve para nos lembrar por que não se deve politizar a escola - nem, num Estado laico, tanto quanto democrático, estabelecer uma educação religiosa no ensino oficial. Nestes tempos de reação à ideia da Escola Sem Partido, uma das bandeiras adotadas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, cujo projeto deve ser votado quinta-feira pela Câmara Federal, é necessário lembrar a verdadeira função da escola, sobretudo a da escola pública, que é formar para a liberdade - a liberdade de escolher, sem imposição de qualquer tipo de ideologia, instrumento utilizado apenas por regimes com vocação autoritária.

Num planeta com recursos cada vez mais escassos, do combustível à água potável, uma população crescente e a exposição diária pelo meio digital ao conflito, na forma de um entrechoque de ideias, identidades e interesses, a administração da intolerância se tornou uma questão essencial das políticas públicas em escala global, tanto quanto o meio ambiente e o avanço da economia também sob a influência dos mercados digitais.

Segunda, 05 Novembro 2018 12:02

Da Justiça depende a democracia

A discussão sobre a qualidade da democracia como a melhor forma de governo não é de hoje, assim como não é de hoje que existe uma relação direta enre a qualidade de uma democracia e a qualidade da Justiça.

Em A República, uma das obras basilares do pensamento universal, o filósofo ateniense Platão começa a discutir toda a política e a organização humana a partir da noção de Justiça. Com diálogos de Sócrates, o mestre pensador, Platão procura estabelecer se é melhor ser justo ou injusto, até consagrar a ideia de que ser justo é bom. Da noção individual de Justiça, Platão passa para a noção de Justiça coletiva, como condição para a existência de um governo e da própria Pólis - a cidade, criada para para que se tenha segurança, os bens possam ser divididos e onde os mais fracos são protegidos, de modo a assegurar a vida humana.