21 Jul 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Quarta, 10 Outubro 2018 21:16

Roger Waters omite os outros ditadores

Astro conhecido pelos tempos da banda Pink Floyd, com pendores lisérgico-libertários, Roger Waters resolveu colocar no seu show em São Paulo, em luminoso garrafal, a hashtag #elenão. Achou que faria o maior sucesso, e se deu mal. Tomou uma vaia retumbante, prolongada e raivosa, e confessadamente se arrependeu de ter metido a mão nesse  vespeiro. "Eu não conheço bem a situação", explicou, ao microfone, numa tentativa de apaziguar os ânimos e continuar o espetáculo.

O que causa estranheza não é o fato de um estrangeiro que não "conhece bem a situação" se achar no direito de dar pitaco na política de outro país, desdenhando do princípio da livre determinação dos povos. Afinal, o pensamento e as posições políticas são livres e globais. Um gringo pode ter também a opinião que quiser, com a diferença de que não vota. E também não faz a cabeça de ninguém, como ficou provado pela vaia histórica no Allianz Park.

Estranho, mesmo, é que Waters resolva fazer seu protesto contra Bolsonaro, e Bolsonaro somente. Se é verdade que o ex-capitão simpatiza com o golpe militar de 1964, já desculpou até a tortura e se apresenta como uma figura constrangedora para a liberdade política e de pensamento, também é verdade que o polo oposto - a coligação PT-PcdoB, que se arvora agora segundo Fernando Haddad como defensora da democracia, é igualmente de natureza autoritária e ditatorial. 

Segunda, 08 Outubro 2018 20:42

Bolsonaro é bem mais que o anti-Lula

"Eu acho que tem de votar contra o PT, mas o Bolsonaro fala também tudo o que eu penso, só não posso dizer", afirma D., engenheiro paulistano de 50 anos, executivo de uma construtora, casado e pai de três filhos.

Quarta, 03 Outubro 2018 15:41

O PSDB diante da sua hora da verdade

Faltando cinco dias para a votação em primeiro turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou e promulgou um manifesto em defesa do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Contando com o próprio FHC, o documento tem 91 assinaturas de notáveis do tucanato, incluindo economistas e cientistas políticos. Parece, contudo, mais uma exortação do capitão que antevê o iminente naufrágio.

Quarta, 26 Setembro 2018 18:49

A aposta da elite em Temer deu errado

Certa noite, jantando na casa da empresária Cosette Alves, ex-dona do magazine Mappin, o banqueiro Olavo Setúbal, foi perguntado se votaria em Lula, então na disputa que o levaria pela primeira vez à presidência da República.

"Meu filho", disse ele, "eu sou riquíssimo. Não voto no Lula. Mas elejo."

Quinta, 20 Setembro 2018 11:08

Bolsonaro é o candidato de Lula

Pode-se pensar do ex-presidente Lula o que se quiser, mas não se pode deixar de reconhecer seu gênio e sua dimensão histórica. Sua prisão e a forma como passou a manipular a eleição presidencial a partir da cadeia certamente passarão como mais uma história lendária de uma biografia já quase sobrenatural. Lula vive agora na cadeia como um jogador. Como bom jogador, somente no final é que se sabe qual é o seu jogo e o trunfo que carrega na manga. E o trunfo de Lula é uma figura:  Jair Bolsonaro.

Sexta, 14 Setembro 2018 16:13

A eleição de 2018 já tem um perdedor

Os números das pesquisas eleitorais deixam muito claro o que está em jogo nestas eleições: algo muito maior e mais profundo do que simplesmente escolher o próprio presidente, os governadores e o legislativo.

O que está sendo testado é o funcionamento do sistema republicano e do regime democrático no Brasil.

Sexta, 07 Setembro 2018 21:14

Um país refém dos golpes do destino

O Brasil é um país com problemas bem definidos, que pede um plano de recuperação econômica e uma reestruturação constitucional que permitam diminuir a corrupção e fazer a nossa democracia representativa funcionar melhor. Depende de um plano de governo eficaz, coerente e de curto, médio e longo prazo. Porém, não é a  melhor proposta para isto que vai decidir a eleição.

O jogo político em 2018 vai ser resolvido muito menos pelo plano de governo que pela emoção. Esta campanha tem sido mais uma vez tragada pelas correntes do destino, pelo imponderável, que pela razão.

A constatação de que Lula cresceu nas pesquisas, dentro da cadeia, revela duas coisas sobre a política brasileira hoje. Uma é que maior parte do eleitorado age apenas no seu próprio interesse, indiferente à ética ou mesmo à lei. Só isso explica 37% dos eleitores quererem a volta de Lula, movimento que ele anteviu muito bem (como Getúlio, que primeiro foi ditador e depois voltou eleito, ou como ele mesmo lembrou, Mandela, que na cadeia virou mito e saiu dela presidente).

O outro dado é que a manutenção de Lula candidato, pelo tempo que conseguir, só favorece Jair Bolsonaro, que é a reação automática e também radical ao desempenho de Lula. Bolsonaro depende do fenômeno do lulismo para se manter onde está. E, Lula crescendo, a reação extremada cresce também. Quando Lula sair da disputa, o que parece ser apenas uma questão de tempo, Bolsonaro na melhor posição que jamais poderia de oura forma alcançar.

Diversos sinais recolhidos do noticiário mostram que o ex-presidente Lula, assim como Marcola, o chefe do PCC, tem comandado a sua organização a partir da cadeia, com incrível liberdade.

O Marcola da política, segundo se entende agora, está por trás de uma série de acontecimentos que têm afetado o rumo da eleição no país. Seria dele, por exemplo, a intervenção que fez o empresário Josuel Alencar mudar de ideia e recusar ser vice na chapa de Geraldo Alckmin. Alencar, como se sabe, é filho de José de Alencar, o falecido ex-vice de Lula em seus dois mandatos.

Também da cadeia, por meio de seus intermediários, como a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, Lula teria mandado recado a Valdemar da Costa Neto para que manobrasse o Centrão longe de Ciro Gomes. Na hora H, como se viu, o acordo encaminhado com Gomes foi desfeito. E o Centrão foi parar nas mãos de Geraldo Alckmin, que, se por um lado ganhou mais tempo na TV, de outro ficou  ainda mais com a cara do atual governo.

O presidente Donald Trump não vê nenhum problema, assim como o presidente brasileiro Michel Temer, em fazer coisas do arco-da-velha e voltar atrás. Ocorre que vai sofrendo desgaste - em coisas bem mais sérias do que a caricatura com a qual o mundo se acostumou.