15 Set 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Depois da tragédia em Mariana, a Companhia Vale do Rio Doce deveria ter trabalhado no sentido de aumentar sua margem de segurança, dentro do conceito contemporâneo de que uma empresa considerada excelente é aquela que consegue ser boa em todas as áreas: faz um bom produto, a bom preço, e ao mesmo tempo respeita o funcionário, o meio ambiente, além de atuar na comunidade e colaborar para o bem estar social.

Hoje, sem trocadilho, prevalece o conceito de desenvolvimento sustentável. Em geral, uma empresa que vai mal na sua participação dentro do processo de desenvolvimento social é também um desastre econômico. A boa gestão se vê em todas as áreas de atuação.

Não é o que aconteceu com a Vale. Em vez de entrar na era do desenvolvimento sustentável, ela se manteve no padrão patrimonialista que está por trás do atraso brasileiro. Trabalhou para reduzir o controle do licenciamento ambiental e obteve o rebaixamento do risco da barragem em Brumadinho. Pensando apenas em interesses econômicos, influenciou agentes públicos para, em vez de aumentar a segurança, piorar o que já era perigoso.

Sexta, 25 Janeiro 2019 13:37

A coragem para fazer o que é certo

Em Davos, na Suíça, o presidente Jair Bolsonaro falou curto, de forma objetiva e mostrou a sua principal virtude: não ter medo de fazer o certo.

Com a má vontade da imprensa brasileira, achou-se motivo para reclamar de tudo - até que seu discurso foi curto demais. Quem entende de comunicação, porém, sabe que é melhor falar 6 minutos e ser ouvido do que discursar 45 minutos para uma plateia adormecida.

Mais que ir ao ponto, direto e sem polêmicas, Bolsonaro e sua equipe mostraram disposição para contrariar uma velha prática brasileira, que é a de jogar na retranca e ainda assim esperar a vitória.

Terça, 22 Janeiro 2019 20:31

Se a GM não tem solução, ninguém tem

Nos Estados Unidos, o reino do mundo competitivo, as empresas nem sonham em pedir socorro de governo, redução de impostos ou outras benesses para sobreviver no mercado mais competitivo do mundo.

Quando investem em outros países, porém, é diferente: se não têm bastante dinheiro para enviar à matriz, pressionam os governos locais para obter todo tipo de ajuda do Estado, sob a ameaça de abandonar investimentos e aumentar a taxa de desemprego. Parece não que estão no país ganhando dinheiro, mas fazendo algum favor.

Bastaram três anos de vacas meio magras, que não apenas ela mas todo tipo de empresa enfrenta no Brasil, para fazer soar o toque alarmista na GM.

Terça, 15 Janeiro 2019 23:40

O Brasil diante de uma outra lógica

POR THALES GUARACY

"Não pergunte o que o governo pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo governo."

A mais célebre frase do presidente americano John Kennedy, proferida em um discurso de 14 minutos em 1961, continua uma das mais importantes máximas da política e, em particular, se aplica dramaticamente a este Brasil de 2019.

Kennedy queria deixar claro que o dinamismo de um país está na sua gente. E que, em vez de esperar por soluções paternalistas, o cidadão tem de tomar o protagonismo da própria vida e, assim, levar o país adiante. É dessa forma que se constroem grandes nações.

Este é o exato momento em que nos encontramos. Nas últimas décadas, o brasileiro se acostumou a esperar soluções paternalistas do governo em todas as esferas. Isso acontece com o mais pobre, que se acomoda na dependência do Bolsa Família. Acontece com o sindicalista, que procura proteger o trabalho com leis na contramão da realidade. Vivem do paternalismo também o banqueiro sem risco e o empresário comodista, que só trabalha se tiver facilidades na licitação, isenção fiscal ou outro tipo de muleta que o desobriga de ser competente, num mundo essencialmente competitivo.

Quando surge a crise, todos olham para o governo. Espera-se do Grande Pai todas as soluções. A política caminha para o personalismo, seja qual for o sinal ideológico do Salvador, de Lula a Bolsonaro. Mas não há milagre. Quem tira o país de uma crise, mesmo num governo melhor administrado, é a sua gente.

Para retomar o caminho do crescimento sustentado, e se tornar o grande país das nossas aspirações, o Brasil precisa mudar sua lógica. Tem de deixar de ser o país do cidadão dependente do Pai dos Pobres para se tornar uma coletividade pró-ativa, sem dó de si mesma, sem medo, sem dependência, crente nas suas capacidades.

Terça, 08 Janeiro 2019 14:37

A explosão da dura realidade do Brasil

A série de ataques terroristas no Ceará, que visam espalhar o medo na população, desorganizar os serviços públicos e chantagear o poder constituído, em especial o governador reeleito, Camilo Santana, é apenas a explosão da realidade latente do Brasil.

Não é a primeira vez que isso acontece e, se não houver o combate apropriado ao crime organizado, agora, e sem medo, como promete o novo  ministro da Justiça, Sergio Moro, o problema apenas tende a se alastrar.

A realidade é dura, mas não se pode fugir dela. O fato é que o crime organizado alcançou uma força capaz de intimidar o poder público, substituí-lo em alguns lugares, e somente uma série de medidas de caráter legal, judicial e social pode modificar esse cenário.

Sexta, 04 Janeiro 2019 23:48

O governo se arrisca a morrer pela boca

O presidente Jair Bolsonaro tem se caracterizado pelo entusiasmo para enfrentar problemas em todos os setores e a disposição de corrigir erros, a começar pelos próprios. Portanto, já deve ter percebido os riscos da sua ideia de governar como um disparador de tuítes.

Ele gosta de mencionar Donald Trump como seu modelo, mas anda mais parecido com outro político, igualmente eleito sobre a plataforma do combate à corrupção. O último presidente brasileiro que fez coisa parecida com ele foi Jânio Quadros, cujo tema central de campanha era expresso na frase moralizadora "Varre, varre, vassourinha", e que inventou de governar com seus famosos "bilhetinhos" - a mídia equivalente, na época, ao tuíte contemporâneo.

Jânio ficou conhecido por surpreender os próprios colaboradores com decisões e comentários manuscritos naqueles pequenos torpedos, que, remetidos em profusão, burlavam as vias institucionais, a pretexto de agilizar as coisas. Eram medidas de governo, recados, ordens, admoestações, que versavam sobre tudo. Isso não fez dele um inovador da administração pública. Apenas ajudou a juntar ao seu redor um clima de medo e incerteza quanto ao que era oficial ou não. Os bilhetinhos de Jânio geraram a desordem e por fim uma hostilidade que colaboraram para seu isolamento e, afinal, sua renúncia.

Sexta, 21 Dezembro 2018 21:11

O suicídio da Editora Abril

Em março de 2013, almocei num restaurante da Vila Madalena com o então secretário editorial da Editora Abril, Alfredo Ogawa, que vinha em nome do Roberto Civita me fazer uma pergunta. "Você gostaria de dirigir o Grupo Playboy?", quis saber.

Sexta, 21 Dezembro 2018 11:16

Um tragédia que ainda pulsa

A jornalista Cristina Serra passou os últimos dois anos trabalhando em um ambicioso projeto: escrever um livro-reportagem sobre Mariana, onde o estouro da barragem do Fundão atirou uma avalanche de lama, areia e rejeitos de minério de ferro sobre a cidade histórica, deixando um rastro de morte e desolação por mais 660 quilômetros abaixo no rio Doce.

Mais conhecida como repórter do Jornal Nacional e do Fantástico da Rede Globo, onde cobriu política em Brasília e trabalhou como correspondente em Nova York, hoje também colunista de A República, Serra é um caso raro de jornalista que trafega bem em todos os tipos de veículo.

Assim como seu colega Caco Barcelos, autor de Abusado e outros best sellers, e Paulo Markun, de O Brado Retumbante e obras premiadas, ela se mostra tão à vontade no texto quanto diante da câmera de TV. E produziu, em livro, uma reportagem que tem um impacto tão visual para o leitor que parece ser lido como quem vê um documentário.

Sábado, 08 Dezembro 2018 12:18

Sim às reformas. Mas que reformas?

Tomando como uma amostra representativa três deputados de diferentes partidos que participaram de um evento na sexta-feira (leia aqui), podemos chegar às seguintes conclusões sobre como será o novo Congresso Nacional, pelo menos na Câmara:

A primeira universidade da América, a Universidade de Santo Domingo, foi fundada em 1538. A segunda, no Peru, em 1551: a Universidade Maior de São Marcos, em Lima. Foram inspiradas nas celebradas universidades espanholas de Salamanca, de vertente humanista, e Alcala, católica.

No Brasil, nada.

Em 1636, quando foi fundada a Universidade de Harvard, já havia 16 escolas de ensino superior na América espanhola, incluindo o Chile e o México, e ainda nenhuma no Brasil.

No período colonial, a América Espanhola formou cerca de 150.000 universitários, enquanto os 2.500 graduados brasileiros se formaram na Universidade de Coimbra, que detinha a reserva de mercado para a formação de ensino superior dos habitantes da colônia.