23 Jul 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

A crise política instalada em Brasília, com o impasse entre o Executivo do presidente Bolsonaro e o Legislativo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é o resultado de uma peculiaridade da política brasileira, na qual a esquerda ou a direita vêm ganhando as eleições majoritárias, mas somente o Centro é quem governa, não importa o lado vencedor.

Quarta, 20 Março 2019 17:01

O Brumadinho da política brasileira

É preciso um certo cuidado com o catastrofismo, mas, num país em que aconteceu um Brumadinho logo depois de Mariana, é preciso prestar mais atenção nos detalhes que levam aos desastres.

E há hoje muitos sinais de um grande desabamento que não devem ser desprezados.

O bárbaro massacre de estudantes e funcionários da escola Raul Brasil, em Suzano, levantou uma onda de comoção em todo o país. O massacre se junta à  sensação de disseminação da violência no cotidiano, espalhada em todos os campos da vida nacional.

A violência está por perto no adolescente que entra na escola para matar colegas. Na prisão de policiais acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco, a bordo de milícias que tinham parentes empregados no gabinete do filho do presidente - sendo que o atirador morava no mesmo condomínio que ele.

Não se pode dizer que há envolvimento do presidente e sua família com a milícia e o crime, muito menos que ele é responsável pelo que aconteceu em Suzano. Porém, o chefe de governo representa o Estado. Está claro que há uma responsabilidade do Estado em tudo o que está acontecendo. E que não há coincidências.

Segunda, 11 Março 2019 14:41

Brasil: o que somos e o que queremos ser

Na entrada da cidade de São Bento do Sapucaí, sobre um mastro de ferro em um antiquário semiabandonado, tremula hoje em trapos uma bandeira do Brasil. Esquecida por quem a colocou ali, ignorante da lei, que não permite o uso de uma bandeira desfigurada, ela é mais do que um símbolo: é o retrato bem atual daquilo que somos, em vez daquilo que queríamos ser.

O pedaço que falta nessa bandeira é a o que deveria ter sido realizado pelo Brasil ao longo dos últimos séculos. Nos quinhentos anos que nos separam da chegada dos portugueses à costa brasileira,  Nações ricas foram construídas com maior rapidez e durabilidade.

Os Estados Unidos se tornaram a Nação mais rica do planeta. Países como a Austrália e o Canadá possuem um nível de vida muito superior ao nosso. Os países do Velho Mundo, se bem que inicialmente às custas da colonização, se transformaram em países ricos, com um padrão de vida mais equilibrado entre todos os cidadãos, dentro de modelos democráticos que se sustentam há muito tempo, apesar das crises eventuais.

O influenciador político Olavo de Carvalho, que indicou pelo menos dois ministros de Estado (Ricardo Vélez, na Educação, e Ernesto Araújo, das Relações Exteriores), além de um número de funcionários de primeiro e segundo escalão que ele mesmo conta em "umas poucas dezenas", exortou pelas redes sociais na sextafeira, dia 8, todos o seus "alunos" a saírem do governo "o mais cedo possível", para "voltar à sua vida de estudos". "O presente governo está repleto de inimigos do povo e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles", escreveu.

Carvalho passa a impressão de que se trata de uma retirada voluntária, quando o que ocorreu foi um afastamento de seus colaboradores, a começar pelo primeiro escalão do Ministério da Educação. “O expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora", postou no Facebook Silvio Grimaldo de Camargo, um dos oito "discípulos" afastados após uma reunião de Vélez com militares e membros da Casa Civil na tarde da sexta-feira.

Transformado de guru em opositor, Carvalho se manifesta por meio de vídeos, em tom agressivo, como o dono da verdade, composta por um moralismo recheado de palavrões e ofensas gratuitas. Reuniu ao seu redor um grupo fervoroso que o trata como a um aiatolá brasileiro radicado na Virgínia - e se tornou a maior ameaça ao governo dentro do próprio governo.

O UOL estreou em meio às festas de carnaval a coluna do ex-deputado Jean Wyllys, que deixou seu mandato e o Brasil sob a alegação de que sentia medo de ser assassinado por milicianos supostamente ligados à família do presidente Jair Bolsonaro.

Os veículos de imprensa do Grupo Folha têm como política editorial a abertura a colunistas de todos os matizes políticos, como uma publicação pluralista, em nome do respeito a todos os pontos de vista. A coluna de Wyllys, porém, nada tem de democrática, ou plural.

Rapidamente, revelou-se uma metralhadora de ofensas sem nenhum controle. Em vez de uma visão progressista da política e do comportamento, manifesta puro ódio, do tipo que só alimenta os polos engalfinhados nessa batalha sem fim que não traz qualquer benefício para o país.

Segunda, 25 Fevereiro 2019 22:19

O carnaval nasceu da política

Já na sua origem, o carnaval brasileiro nasceu sob o signo da política. Mais precisamente, como uma festa para salvar a pele de um político, Salvador Correia de Sá e Benevides, governador do Rio de Janeiro e das províncias abaixo da Bahia, como vai contado no livro A Criação do Brasil

Quinta, 21 Fevereiro 2019 12:38

A Previdência e um novo modelo de Brasil

Agora que o projeto da Nova Previdência chegou ao Congresso, começou a fase do protesto. O texto é complicado, mas já se entendeu o básico: todos receberão menos. Não adianta reclamar. Esta é a realidade: o Brasil é um país pobre e simplesmente não pode arcar com o custo social da aposentadoria da forma em que se encontra, ainda mais com o crescimento populacional.

A reforma da Previdência é, porém, mais que isso. É o início de uma mudança profunda, fundamental para o Brasil, que é acabar com o Estado paternalista, obrigado a prover tudo ao cidadão.

O Estado paternalista gera uma população comodista, que só reclama por seus direitos, quando a verdade é que, ainda mais num país pobre, o único jeito de viver melhor é trabalhar mais. E melhor.

Segunda, 18 Fevereiro 2019 14:52

Por que os militares avançam no governo

Nos últimos tempos, vem se repetindo entre os políticos em Brasília a frase "filhos não podem ser demitidos".

Ela vem de todas as direções, tanto de aliados quanto de adversários. Mesmo o suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, o empresário Paulo Marinho (PSL-RJ), afirmou que vê a influência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro "com maus olhos, como todo mundo".

Quinta, 07 Fevereiro 2019 19:32

Bolsonaro é também uma ideia

Quando foi preso, o ex-presidente Lula disse que não adiantava ser isolado no cárcere, pois ele hoje em dia não seria mais um político, seria uma ideia. De fato, durante a campanha eleitoral, e mesmo depois, Lula continua a ser, da cadeia, o líder da esquerda mais à esquerda no país.

Pelo lado oposto do espectro ideológico, o mesmo ocorre com o presidente Jair Bolsonaro.