15 Set 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Sábado, 20 Julho 2019 23:51

A democracia não resolve tudo

O número de 13 milhões de desempregados no país é hoje o centro das preocupações nacionais, um problema maior que o da corrupção, à qual a crise econômica acabou sendo associada: ambos são resultado das formas variadas de malversação do dinheiro público. Porém, há no ar algo mais grave: a sensação, vinda das profundezas do solo, de que a democracia brasileira não deu certo.

O Brasil é um país que não consegue força para se manter na rota do desenvolvimento sustentável e que, contrariando sua própria base democrática, vive agora jogado de um lado a outro por projetos políticos cuja principal característica, paradoxalmente, é o autoritarismo.

Para sairmos disso, é preciso primeiro entender como chegamos até aqui.

Especialmente no Congresso, começaram a circular novamente nos gabinetes em Brasília as conversas sobre a volta do parlamentarismo. Loucura? Golpe? Falta do que fazer?

Até aqui, o presidente Jair Bolsonaro vem sendo tratado por veículos e opinadores de mídia como um político meio desastrado, que teria um relacionamento ruim com o Congresso, dificuldade de fazer acordos políticos, e sem pulso no trato com os franco atiradores que deveriam estar ao lado do próprio governo - em especial, o guru Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, filho e mentor de comunicação digital do presidente.

Para esses detratores, Bolsonaro dá cabeçadas desde o começo, expelindo pelo caminho, sem querer, colaboradores de primeira grandeza - casos dos ex-ministros Gustavo Bebbiano e do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. E deixaria livres os amigos da onça de maneira inexplicável.

Tudo tem explicação - desde que se aceite o fato de que o inexplicável, na realidade, é de propósito. Passados pouco mais de seis meses de governo, o que parecia  uma série de tropeços vai se configurando agora como um método político. A confusão não é resultado de incompetência. Mesmo o que às vezes parece sem lógica faz parte de uma estratégia, baseada em objetivos, que vão ficando cada vez mais claros.

Finalista do último Mundial de Atlestismo, na categoria dardo, Alana Maranhão foi encontrada morta no domingo em sua casa, na cidade paranaense de Paranavaí.

Sexta, 28 Junho 2019 16:08

Enquanto isso, fora da bolha

Enquanto em Brasília os três Poderes se debatem num torneio de verão para identificar quem tem mais poder, ou mais mazelas, fora da cúpula de vidro se desenrola o Brasil de verdade, onde impera a realidade. E ela tem sido dura.

O IBGE informa que temos no momento 13 milhões de desempregados. Um número alarmante, não apenas pelo tamanho, como pela longevidade. Pior que o desemprego, é o tempo que ele já dura. A população perde a poupança, afunda cada vez mais na pobreza e vai entrando em desespero. O que vemos é um país em sofrimento.

Além do embate entre o Executivo e o Legislativo, tragados num rodamoinho em que um tenta anular as ações do outro, o Brasil assiste um outro preocupante fenômeno, que alimenta ainda mais a espiral da incerteza: a politização da Justiça.

Chamou a atenção a participação do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, no último café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, promovido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Depois de Bolsonaro lamentar uma entrevista dada por Lula na cadeia, na qual o ex-presidente insinuou que a facada em Juiz de Fora poderia ter sido uma armação, Heleno tomou a palavra e fez um discurso inflamado, chegando até mesmo a bater na mesa.

"A presidência da República é uma instituição sagrada", afirmou Heleno. "[...]Um presidente da República desonesto tinha que tomar uma prisão perpétua. Isso é uma canalhice típica desse sujeito. [...] Eu tenho vergonha de um sujeito desse ter sido presidente da República."

O vazamento pelo site The_Intercept de áudios gravados com o ministro Sérgio Moro, nos seus tempos de juiz, revela apenas uma coisa: as intenções da imprensa tendenciosa.

Sexta, 31 Maio 2019 22:29

O azar de ser o presidente

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que a cadeira do Palácio do Planalto é sua "kriptonita". Bolsonaro sabe o que diz, melhor que ninguém.

Na ficção, kriptonita é o mineral vindo do planeta Kripton, que na Terra enfraquece o Super-homem. A matéria que enfraquece o presidente, porém, é deste planeta mesmo.

A razão pela qual o ministro da Justiça Sérgio Moro queria ficar com o Controle de Atividades Financeiras (Coaf), hoje no Ministério da Economia, é a mesma pela qual ninguém mais queria. Com o Coaf, ele poderia fiscalizar melhor as atividades do governo, incluindo as do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do chefe, o presidente Jair Bolsonaro, que não apenas deixou Moro sozinho nesta briga, como trabalhou em silêncio para que ele saísse perdendo.