14 Nov 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Quinta, 22 Agosto 2019 16:05

O país onde o rabo abana o cachorro

No Brasil, as últimas eleições presidenciais foram marcadas pela vitória de políticos de legendas minoritárias, com algo em comum - seja de esquerda como de direita, primam pela radicalização. Com isso, o chamado centro, ou tudo aquilo que não é radical, acaba sendo levado, geralmente a contragosto, a escolher um lado, mais por rejeição ao outro do que por opção.

É a chamada polarização, que na prática leva sempre uma minoria, seja qual for seu sinal ideológico, a governar a maioria. É o rabo - a parte menos importante, embora mais ativa e vistosa - a abanar o cachorro, e não o contrário.

Sexta, 16 Agosto 2019 21:24

O presidente indigente

O presidente Jair Bolsonaro deu para se lamentar da indigência do governo, para justificar cortes e contingenciamentos. Na sexta-feira, dia 16, reclamou que não há recursos para fazer nada. "Não tem dinheiro e eu já sabia disso", afirmou. "Estamos fazendo milagre, conversando com a equipe econômica. A gente está vendo o que a gente pode fazer para sobreviver."

Quarta, 07 Agosto 2019 20:02

O maior perigo para Bolsonaro

O ex-deputado e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto já patrocinou outras desgraças econômicas quando esteve no governo, mas é inegável sua vasta experiência e o fato de que se tornou o mentor de gerações seguidas de economistas brasileiros. É, portanto, uma autoridade quando se trata de pontificar sobre problemas nacionais, o que ainda faz, com espantosa lucidez para um nonagenário.

Quinta, 01 Agosto 2019 22:13

O rico, o pobre e a arte

Ao colocar na tela a história da amizade entre o escritor Émile Zola e o pintor Paul Cezanne, a diretora francesa Danièle Thompson produziu também uma pequena obra-prima do cinema, que vai passando discretamente no circuito mais cult das cidades brasileiras.

A redução dos juros em meio ponto percentual, para 6% ao ano, é uma tentativa do Comitê de Politica Monetária do Banco Central de colaborar com a retomada da economia, que continua sem dar sinais palpáveis de reação. Mais que baratear empréstimos, o governo pretende tirar os empresários e investidores da zona de conforto - o dinheiro aplicado no banco - para voltar aos negócios, o único fator capaz de reconduzir o país ao desenvolvimento. O mesmo fenômeno ocorre nos Estados Unidos, onde o Federal Reserve também acaba de baixar os juros. Ocorre que a saída do marasmo não está sendo fácil - e a queda dos juros, assim como outras medidas econômicas ortodoxas, também não deve ser o bastante.

Sexta, 26 Julho 2019 19:46

O outro erro na indicação de Eduardo

O Itamaraty confirmou a indicação pelo presidente Jair Bolsonaro de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Para ser empossado no cargo, Eduardo terá de passar pelo aval de uma comissão no Senado. E por um duplo erro do pai.

Sábado, 20 Julho 2019 23:51

A democracia não resolve tudo

O número de 13 milhões de desempregados no país é hoje o centro das preocupações nacionais, um problema maior que o da corrupção, à qual a crise econômica acabou sendo associada: ambos são resultado das formas variadas de malversação do dinheiro público. Porém, há no ar algo mais grave: a sensação, vinda das profundezas do solo, de que a democracia brasileira não deu certo.

O Brasil é um país que não consegue força para se manter na rota do desenvolvimento sustentável e que, contrariando sua própria base democrática, vive agora jogado de um lado a outro por projetos políticos cuja principal característica, paradoxalmente, é o autoritarismo.

Para sairmos disso, é preciso primeiro entender como chegamos até aqui.

Especialmente no Congresso, começaram a circular novamente nos gabinetes em Brasília as conversas sobre a volta do parlamentarismo. Loucura? Golpe? Falta do que fazer?

Até aqui, o presidente Jair Bolsonaro vem sendo tratado por veículos e opinadores de mídia como um político meio desastrado, que teria um relacionamento ruim com o Congresso, dificuldade de fazer acordos políticos, e sem pulso no trato com os franco atiradores que deveriam estar ao lado do próprio governo - em especial, o guru Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, filho e mentor de comunicação digital do presidente.

Para esses detratores, Bolsonaro dá cabeçadas desde o começo, expelindo pelo caminho, sem querer, colaboradores de primeira grandeza - casos dos ex-ministros Gustavo Bebbiano e do general Carlos Alberto dos Santos Cruz. E deixaria livres os amigos da onça de maneira inexplicável.

Tudo tem explicação - desde que se aceite o fato de que o inexplicável, na realidade, é de propósito. Passados pouco mais de seis meses de governo, o que parecia  uma série de tropeços vai se configurando agora como um método político. A confusão não é resultado de incompetência. Mesmo o que às vezes parece sem lógica faz parte de uma estratégia, baseada em objetivos, que vão ficando cada vez mais claros.

Finalista do último Mundial de Atlestismo, na categoria dardo, Alana Maranhão foi encontrada morta no domingo em sua casa, na cidade paranaense de Paranavaí.