23 Jul 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Sexta, 02 Fevereiro 2018 13:34

TSE cerca o meio digital

Ao receber na quarta-feira passada representantes de Google, Twitter e Facebook para discutir as eleições, o Tribunal Superior Eleitoral deixou claro que vai vigiar e punir como no mundo real possíveis infrações da lei eleitoral. 

Agora que está na vitrine do governo, o presidente Michel Temer tenta incorporar a principal arma com a qual se tem mantido o poder no Brasil: a mistificação.

Segunda, 22 Janeiro 2018 14:36

Lula condenado. A ética no Brasil também

O resultado do julgamento do ex-presidente Lula, neste dia 24, não deveria importar tanto. Num país onde a ética significa alguma coisa, não importaria. Lula dentro ou fora da cadeia, deveria ser o mesmo.

Não é a Justiça a primeira instância encarregada de impedir um político de disputar ou não as eleições. É a consciência. E o comportamento ético. Um político condenado por corrupção, para não dizer a malversação das contas públicas e o arruinamento de um país, nem deveria estar sendo cogitado como candidato por um partido. Ainda mais o PT, que sempre fez um discurso ético radical, quando se tratava de apontar a corrupção - dos outros.

Lula foi condenado. Perdeu também no recurso, agora inapelável. Aqueles que desejavam lançar Lula novamente à presidência, porém, preferem questionar a Justiça e fazer ouvidos moucos para o resto.

O fato de Lula representar pessoas, ideias ou um movimento social não faz dele alguém imune à lei. Muito menos seus apoiadores podem fechar os olhos à corrupção e ao comportamento do ex-presidente. Não há mais ninguém no partido que possa tomar suas bandeiras e recolocá-lo dentro dos padrões éticos? Só Lula representa o PT?

O presidente Michel Temer, diga-se o que se disser a respeito dele, ou da forma como chegou ao governo, já deu uma grande contribuição ao Brasil. Claramente, interrompeu a queda livre do Estado brasileiro, que a política ruinosa do PT claramente  conduzia para levar o Brasil a um caos semelhante ao que se encontra, hoje, a Venezuela.

Como os quadros do PT podem ser tudo, menos burros, e não dá para imaginar que seria possível ignorar dentro do governo o volume da corrupção, a destruição da Petrobras e outros malfeitos que levavam o país à ruína, é de se concluir que se tratava de uma política deliberada para levar o país a um processo de turbulência - e se aproveitar dele para algum malfeito pior.

Fosse como fosse, as elites brasileiras perceberam que era preciso intervir, dentro do que se permite constitucionalmente. Mais que pela corrupção, a queda de Dilma Rousseff, com a entronização de Temer, cortou o caminho para o desastre. Embora tenha crescido graças à democracia, por definição o respeito à opinião das minorias, quaisquer que sejam, mesmo as mais antidemocráticas, e até as contrárias à própria democracia, o PT se tornava uma ameaça não somente à economia como às instituições.

Temer teve o mérito de simplesmente estar onde estava. Embora irmanado com o PT em práticas que o levaram a sofrer pelo menos duas acusações de corrupção levadas ao Congresso, que convenientemente as varreu para baixo do tapete, o presidente saído da obscuridade onde se encontrava começou a inverter a lógica macabra da política do PT que levava o Estado à exaustão. O que já  foi o primeiro passo para a salvação.

Na prática, a esperança econômica está nas mãos do financista Henrique Meirelles, o homem abençoado pelos mercados para recolocar o Brasil no trilho. Mudanças no sistema trabalhista, aumento de impostos, diminuição dos juros, algo tendo sido feito para inverter a roda e devolver a tarefa de retomar o crescimento pela ação da iniciativa privada, e não pelo Estado. Este apenas começa a ser saneado, oara que possa executar novamente suas funções vitais, hoje em situação falimentar, que resulta, entre outras consequências perigosas, na paralisação da segurança pública nos estados, tambem quebrados pela crise.

Aí está a segunda tarefa que Temer ainda fica a dever:  colaborar para levar o Brasil na próxima eleição a um governo que não apenas dê seguimento à política atual no que ela tem de elementar - a recondução do Estado ao seu papel de Estado e a retomada do crescimento econômico pela via privada - como afaste a sombra das correntes que, mesmo dentro do jogo democrático, trabalham contra ele, especialmente no que a democracia tem de mais sagrado: a possibilidade da alternância no poder.

Para isso, a economia tem de melhorar a ponto de mostrar claramente que a luz no fim do túnel passa pela responsabilidade na administração pública, e não por promessas populistas que encobrem alguma agenda oculta.

Não será fácil, porque ainda não existe claramente o nome da liderança que vai conduzir o grande movimento nacional de volta a esse desenvolvimento sustentável. E porque em ano de eleição, ainda mais enfraquecido politicamente pelas acusações que contra ele pesam na área criminal, Temer terá dificuldade em aprovar mais reformas, como a da previdência.

É preciso ao menos manter o leme firme, porque o perigo de retrocesso existe.

 

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