17 Out 2019
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Quarta, 16 Outubro 2019 14:42

O que acontece no Brasil com Lula livre

A possibilidade bastante real de Lula sair logo da cadeia, uma vez que já lhe foi oferecido pelo próprio Ministério Público o regime semiaberto, promete mudar radicalmente o cenário político nacional. Porém, mudar como? Para onde? Para que?

Como narro no meu livro A Conquista do Brasil, quando os primeiros portugueses e espanhóis começaram a chegar, no Século XVI, o Brasil era ocupado pelos tupinambás, com uma cultura e economia mais sofisticadas, e índios nômades, belicosos e rudes, considerados uma raça inferior, que os primeiros chamavam de tapuias - em tupi, os "escravos". Enquanto os tupinambás fizeram uma guerra para se defender dos portugueses, e acabaram massacrados, os guerreiros tapuias fugiram para o sertão, onde mais tarde se confrontariam com os bandeirantes. Caçadores e pescadores, ficaram conhecidos pelos portugueses como os "botocudos", pelo uso do botoque, prancha de madeira usada para esticar o lábio inferior e as orelhas, que lhes dá aspecto ainda mais feroz.

Segunda, 07 Outubro 2019 14:20

Coringa e a elegia do bandido

Nestes tempos de poucas esperanças e desânimo com o poder público, a estreia do filme Coringa, estrelado por Joachin Phoenix, acaba sendo mais que um passatempo ou diversão. A partir da história original dos quadrinhos, os diretores Todd Phillips e Scott Silver criaram uma peça que ronda um tema importante e perigoso para os dias de hoje: a revolta dos oprimidos, que justifica o crime e alimenta as rebeliões coletivas.

Quarta, 11 Setembro 2019 14:19

O lugar onde nasce outro futuro do Brasil

No fim de semana do feriado de 7 de setembro, a pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, foi pela quinta vez cenário do Hack Town - evento que reuniu mais de 600 palestrantes e um público de cerca de 6 mil pessoas para assistir palestras, debater inovação, tecnologia, comportamento e, por que não, se divertir.

Nerds e jovens de todas as tribos se misturavam em vários lugares da cidade para discutir tanto a economia digital como a comida vegana e o documentário La Planta, sobre a experiência da maconha medicinal no Uruguai, dirigido pelos cineastas Beto Brant e Yael Steiner.

É um sopro de vida na economia e na sociedade brasileira, ignorado pelo governo federal, assim como pela mídia nacional. Como se fosse um evento de importância local, contou apenas com a cobertura regional da TV Globo, e a participação do governador mineiro Romeu Zema, que, na abertura, disse que a tecnologia está entre as suas prioridades.

Não se trata de acaso. Enquanto em Brasília o ministro da Economia, Paulo Guedes, deblaterava sobre a reintrodução da velhíssima CPMF, e o presidente Jair Bolsonaro tuitava do hospital que não haveria aumento de impostos, sem qualquer solução fora da mais arcaica ortodoxia econômica, em Santa Rita, sem sequer uma testemunha de Brasília, se discutia o que pode levar o Brasil para a frente de verdade.

A substancial vantagem nas eleições primárias do candidato da oposição na Argentina, Alberto Fernández, que sugere uma vitória com larga margem na votação decisiva em outubro sobre o atual presidente Mauricio Macri, não significa apenas uma volta dos Kirchner ao poder, com Cristina Kirchner na vice-presidência e suas políticas populistas de esquerda. Quer dizer que, depois de selado o fracasso da era Kirchner, os argentinos experimentaram o outro lado - e agora podem voltar atrás. É a saudade do ruim, diante do pior.

O jogo pendular entre esquerda e direita dos argentinos é o mesmo que ocorre no Brasil, ainda que numa fase anterior. Depois da tentativa social democrática com FHC e depois o lulismo, o Brasil experimenta o liberalismo radical de Jair Bolsonaro e seu ministro econômico, Paulo Guedes. Porém, o resultado também vai parecendo igual.

Terça, 27 Agosto 2019 03:25

Soberania internacional sobre a Borgonha

Caro presidente Macron,

Em reunião extraordinária, o G10 considera que os vinhos da Borgonha são patrimônio universal, indispensável para a Humanidade. E portanto a França deve aceitar uma soberania relativa desse território, de importância que vai além de suas fronteiras.

Segunda, 26 Agosto 2019 00:25

Fernanda para sempre Young

A morte de alguém jovem é de uma beleza trágica, porque jamais saberemos como a pessoa seria, envelhecendo. E, ao não envelhecer, ela permanecerá sempre jovem na memória. Com sua morte aos 49 anos, em Gonçalves, Minas Gerais, Fernanda Young acaba sendo sempre jovem - e, para quem tinha tatuada a fórmula de Einstein entre os seios (E=mc²), fica como o jovem e eterno modelo de energia torrencial, criativa, provocadora e, por sorte, multitalentosa.

Quinta, 22 Agosto 2019 16:05

O país onde o rabo abana o cachorro

No Brasil, as últimas eleições presidenciais foram marcadas pela vitória de políticos de legendas minoritárias, com algo em comum - seja de esquerda como de direita, primam pela radicalização. Com isso, o chamado centro, ou tudo aquilo que não é radical, acaba sendo levado, geralmente a contragosto, a escolher um lado, mais por rejeição ao outro do que por opção.

É a chamada polarização, que na prática leva sempre uma minoria, seja qual for seu sinal ideológico, a governar a maioria. É o rabo - a parte menos importante, embora mais ativa e vistosa - a abanar o cachorro, e não o contrário.

Sexta, 16 Agosto 2019 21:24

O presidente indigente

O presidente Jair Bolsonaro deu para se lamentar da indigência do governo, para justificar cortes e contingenciamentos. Na sexta-feira, dia 16, reclamou que não há recursos para fazer nada. "Não tem dinheiro e eu já sabia disso", afirmou. "Estamos fazendo milagre, conversando com a equipe econômica. A gente está vendo o que a gente pode fazer para sobreviver."

Quarta, 07 Agosto 2019 20:02

O maior perigo para Bolsonaro

O ex-deputado e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto já patrocinou outras desgraças econômicas quando esteve no governo, mas é inegável sua vasta experiência e o fato de que se tornou o mentor de gerações seguidas de economistas brasileiros. É, portanto, uma autoridade quando se trata de pontificar sobre problemas nacionais, o que ainda faz, com espantosa lucidez para um nonagenário.

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