18 Out 2021
Thales Guaracy

Thales Guaracy

Foi editor de política e assuntos nacionais da revista Veja, editor executivo do Grupo Exame, editor sênior de O Estado de S. Paulo, diretor editorial e responsável pelo lançamento no Brasil da revista Forbes, entre outras publicações. Foi ainda diretor editorial da Saraiva para a publicação de livros de ficção e não ficção, criador do selo e do Prêmio Benvirá de Literatura. Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo Político e de 12 prêmios Abril de Jornalismo, pertenceu ao corpo de jurados do Prêmio Esso de Jornalismo e do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Como autor, publicou livros de reportagem como O Sonho Brasileiro - Como Rolim Amaro Construiu a TAM e sua Filosofia de Negócios; A Conquista do Brasil: 1500-1600; A  Criação do Brasil: 1600-1700; e Eles Me Disseram – As ideias e valores de 21 brasileiros de sucesso, além de mais uma dezena de obras de ficção e não-ficção.

Segunda, 11 Outubro 2021 10:46

O valor da vida

O filme Valor da Vida, que entrou em cartaz em setembro dos cinemas nacionais, fala sobre a indenização das famílias das vítimas dos ataques de 2001 ao World Trade Center, ao Pentágono e o Congresso americano. Porém, nestes tempos da Covid-19, com a morte em massa de pessoas, em boa parte graças à negligência do poder público federal,  trata de uma questão muito contemporânea. Quanto vale a vida? Qual o tamanho do dano que um governante negacionista pode causar a um país? E, sobretudo: é possível fazê-lo pagar?

Sexta, 08 Outubro 2021 09:59

O ministro no país das conveniências

Todo mundo sabia que Paulo Guedes era banqueiro.

O estado de São Paulo teve 5.450 novos casos de Covid e 334 mortes em 24 horas, recorde para o período de um dia, às vésperas de reabrir boa parte do comércio. Nesta segunda-feira, na capital paulista, o movimento nas ruas se aproximava do normal, mas a limitação do transporte imposto pelas autoridades deixava ônibus lotados, como mostram fotos de passageiros publicadas nas redes sociais. O mesmo ocorreu em lugares tão diferentes como Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Palmas, no Tocantins.

No domingo, manifestantes pró e contra o presidente Jair Bolsonaro foram às ruas aos milhares, em manifestações provocadas pelo radicalismo político, numa onda de sandice coletiva. Dessa forma, a saída da pandemia, depois de uma quarentena flexível, além de não cortar a disseminação do vírus, mostra que São Paulo e o Brasil rumam para o descontrole da saúde pública, seguido, na economia, de um desarranjo ainda maior que o do resto do mundo.

O Brasil sofre com uma malformação histórica, que é a crença das suas elites de que a conveniência do momento é mais importante que a segurança institucional. Isso fez com que apelassem a Lula, apoiando o PT para o governo, numa época em que o Brasil demorava a ter crescimento econômico. Foi a mesma elite que deu apoio a Bolsonaro, depois que o Estado gastou tudo o que tinha, dando poder de compra artificialmente ao consumidor de classe baixa, e o Estado falido ameaçava tomar os lucros de volta, aumentando impostos. Entrou Paulo Guedes como garantia desse acordo, e Bolsonaro está aí.

A delação do empresário Paulo Marinho, cujo depoimento à Polícia Federal indica que os Bolsonaro sabiam antes da deflagração da Operação Furna da Onça, é mais importante do que simplesmente acrescentar um dado relevante às investigações sobre a tentativa do presidente de proteger-se de forma indevida, seja na corrida eleitoral, seja dentro do governo.

Marinho foi um colaborador fundamental de Bolsonaro, não só por colocar sua casa como quartel-general político na corrida eleitoral, como pela sua participação na inteligência de campanha e no aliciamento de apoio empresarial.

Representa o grupo de empresários que apostou em Bolsonaro, como garantia de que o Brasil não voltaria atrás, devolvendo o poder a Lula e o PT. Bolsonaro foi seu trunfo para garantir ganhos passados, que poderiam ser cobrados de volta num novo governo populista de cunho socializante, agora que o Estado brasileiro se encontra na penúria, após a enorme transferência de recursos para o setor privado pelo estímulo ao consumo.

Ao voltar-se contra o homem que ajudou a inventar, a clássica história do criador tentando controlar a criatura, Marinho indica que a verdadeira base de apoio ao presidente - a elite predatória que colocou Paulo Guedes como garantia de que ele cumpriria os termos do acordo para sua eleição - está abandonando o barco.  Essa, sim, é uma má notícia para o presidente.

Segunda, 11 Maio 2020 16:15

A comunicação destrói uma gestão

Os integrantes do governo Jair Bolsonaro, a começar dele mesmo, são especialistas em atrair a antipatia geral, mesmo quando têm bons planos ou boas intenções. São caso exemplar de comunicação ruinosa, que vale a pena ter como parâmetro, mas do que não se pode fazer. Assim como na gestão privada, há governos que servem como "cases" de comunicação que, associada a decisões equivocadas, produzem o efeito contrário ao desejado, arruinam a imagem, desestabilizam a liderança e minam a própria gestão.

Nesta segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro recebeu no Palácio do Planalto o tenente-coronel reformado do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o "Major Curió". Denunciado seis vezes pelo Ministério Público Federal por participação nos assassinatos e sequestros de guerrilheiros de esquerda no Araguaia, nos anos 1970, Curió tem hoje 85 anos. A foto, colocada nas redes sociais por um de seus filhos, veio com a legenda "Dia de de dois amigos se encontrarem e dizer Força".

Domingo, 03 Maio 2020 20:30

A última ceia do governo Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro chamou seu ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de "Judas". Como dizem as escrituras, Judas era o apóstolo favorito de Jesus, mas justo esse foi também aquele que o traiu. Não se sabe se Moro irá se arrepender, como Judas, que se enforcou. O presidente, porém, já tem a sensação de que está sendo enviado para a cruz.  

Segunda, 27 Abril 2020 18:03

Guedes é garantido, mas há obstáculos

No comitê de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi uma figura destoante do conjunto - enquanto todos os ministros vestiam-se formalmente, ele estava sem paletó, com uma máscara anti-Covid, e sem sapatos, inidcação de que os teria deixado por norma sanitária na porta. A imagem sugeria um ministro já deslocado, ou, por outro ângulo, o único certo. Nesta segunda-feira, após reunião com Guedes, o presidente Jair Bolsonaro diz que ele fica no governo"O homem que decide economia no Brasil é um só, chama-se Paulo Guedes", disse o presidente, após encontro no Palácio da Alvorada. "Ele nos dá o norte, nos dá as recomendações e o que nós realmente devemos seguir."

Sim, Guedes fica. Mas, no governo Bolsonaro, a questão é saber até quando - e como.

Quinta, 23 Abril 2020 14:51

O Brasil flerta com o autoritarismo

O Brasil assiste hoje o crescimento de um movimento ainda pequeno em número, embora barulhento, de gente que pede um regime autoritário no país. A maior ameaça autoritária, porém, não vem daí. Ela passa pelo enfraquecimento geral da democracia brasileira, da qual o presidente Jair Bolsonaro, com suas ideias, sua postura, seu comportamento e seus seguidores à beira do fanatismo político, é apenas o sintoma mais visível.

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