6 Jun 2020
Hugo Studart

Hugo Studart

Hugo Studart, editor de A República em Brasília, é jornalista, professor e doutor em História. Trabalhou como repórter investigativo, editor ou colunista nos maiores veículos do país, como os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo; revistas Veja, Manchete e Dinheiro. Atuou como diretor e colunista da IstoÉ, além de editor-chefe da revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea. Colaborou com artigos, colunas ou ensaios em veículos como Exame, Imprensa e Brasil História; e com artigos de opinião para O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. Ganhou diversos prêmios de jornalismo, como o Prêmio Esso e o Abril, além do Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos.

Como professor, atua como pesquisador-associado do Núcleo de Estudos da Paz e dos Direitos Humanos da Universidade de Brasília e na Pós-Graduação em Ciência Política na Faculdade Upis. Lecionou Jornalismo no Instituto de Ensino Superior de Brasília, na Fundação Casper Líbero, São Paulo, e na Universidade Católica de Brasília; além de MBA em Relações Institucionais do Ibmec. É membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.

Sábado, 05 Janeiro 2019 14:02

O paradoxo de Damares

POR HUGO STUDART

Damares Alves se apresenta como o elo mais frágil do novo governo; paradoxalmente, ela é o combatente mais importante que até o momento entrou no front da guerra declarada por Bolsonaro e os generais para reconquistar os corações e mentes do brasileiro - a tal hegemonia ideológica.

Quarta, 02 Janeiro 2019 22:41

Não é apenas uma questão de acesso

Há muito mimimi e chororo nas queixas dos coleguinhas sobre as restrições da segurança a cobertura da posse de Bolsonaro. Ora, quase sempre foi assim, e se houve um momento de menor restrição foi no final do regime militar; e se houve um momento de maior restrição foi no governo Lula, pior ainda com Dilma.

Quarta, 12 Dezembro 2018 15:56

Os negócios obscuros de João de Deus

Estive com João de Deus anos atrás. Algumas vezes. Fui levar minha ex-mulher, Adriana, que estava com tumor cerebral de 2 cm de diâmetro e não poderia ser operada. 

Quinta, 22 Novembro 2018 17:40

O livro é um caso de segurança nacional

 "Um país se faz de homens e livros", disse Monteiro Lobato, o célebre escritor, editor e homem de ação, numa de suas frases mais célebres. E Lobato nunca teve tanta razão quanto hoje, num país de educação claudicante, onde 95% dos alunos saem do ensino médio sem conhecimentos básicos em matemática, 78,5% sem saber português num nível adequado e 40% dos universitários são considerados analfabetos funcionais. A falta de qualificação é apontada por estudos econômicos como o maior empecilho à produtividade na indústria brasileira hoje.

Nas últimas semanas, com a consolidação do favoritismo de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, cada vez mais fala-se do iminente fim da democracia, com golpe militar ou com autogolpe do próprio candidato. Ora, ora, trata-se da mais pura sandice, terrorismo político com fins eleitorais.

Quarta, 26 Setembro 2018 18:44

Bolsonaro vai às lágrimas

Um bom jornalista é sobretudo um confessor, espécie de confidente profissional sempre pronto a emprestar o ouvido amigo a fim de obter boas histórias e informações relevantes. Por vezes aproveita da fragilidade do alvo, outras, da vaidade...

Sexta, 07 Setembro 2018 01:20

A encruzilhada do fogo com a faca

Na trama grega clássica, as tragédias costumam ter início em uma encruzilhada. Como aquele entroncamento de estradas no qual Édipo, por obra do Acaso, se encontra com o rei Laio e o mata depois de uma discussão banal, sem saber que era seu próprio pai. Passadas 24 horas do atentado à vida do candidato Jair Bolsonaro, eis a primeira avaliação do cenário político, buscando a máxima prudência:

1 - Bolsonaro buscava ganhar no 1º turno. Pois, segundo admitem seus coordenadores, no 2º turno a tendência era perder. Sobretudo para o moderado Geraldo Alckmin.

2 - Ele já estava caminhando para isso quando foi esfaqueado. Em uma pesquisa encomendada por sua campanha, teria chegado a 56% dos votos úteis (Atenção: uso o verbo na condicional, “teria”).

3 - Mas os indecisos e infiéis podem representar um terço do eleitorado, número espantoso. De acordo com último Ibope, sem Lula na disputa, a soma dos votos indecisos e brancos, junto com os nulos (revoltados) chegaria a 38%. Segundo o Datafolha, a soma deles seria de 28%. Na média, 33%. De acordo com a última pesquisa da XP Investimentos, por sua vez, divulgada a 7 de setembro, os indecisos seriam 22%, contra 20% de Bolsonaro. É esse o eleitorado que está de fato sendo disputado: indecisos e infiéis, entre um quarto e um terço do eleitorado.

Terça, 28 Agosto 2018 15:02

O parricídio político na Argentina

Há casos bem populares de parricídio, como o de Suzane von Richthofen. Na literatura, temos três grandes clássicos nos quais o filho mata o pai: Édipo Rei, do dramaturgo grego Sófocles; Hamlet, do britânico Shakespeare; e Irmãos Karamazov, do russo Dostoievski.

O parricídio era encarado como tragédia ou psicopatia até o advento dos grandes expurgos perpetrados pelo ditador soviético Joseph Stalin, nos anos 30, e três décadas depois, pela Revolução Cultural de Mao Tsé-tung, quando filhos eram incentivados a denunciar os próprios pais por supostos crimes ideológicos contra o comunismo.

A última aberração dessas foi protagonizada pelo psicopata Pol Pot, que implantou no Camboja o regime ensandecido do Kmer Vermelho, que exterminou 1 milhão de pais alfabetizados com o intento de criar um Novo Homem. Não tenho notícias sobre o tirano Kim, da Coréia do Norte – mas há de se supor que o parricídio ideológico venha sendo praticado por lá.

Sábado, 11 Agosto 2018 13:46

Chuchu no segundo turno?

Considerando as alianças políticas, vices, tempo na TV, a primeira rodada de entrevistas e debates, como a repercussão dos mesmos nas redes, as piadas, memes e congêneres, há fumaça de que o segundo turno pode ter Bolsonaro versus Alckmin. Com 40% de indefinidos segundo as pesquisas, os candidatos miram o voto útil e tudo é possível, mas, olhando pela radiografia de hoje, cada um está assim: 

A tese de que ordens devem ser cumpridas, chamada de Obediência Devida, foi derrubada histórica e juridicamente pelo Tribunal de Nuremberg, quando, ao longo de um ano, entre 1945 e 1946, as mais proeminentes lideranças nazistas alegaram em suas defesas que estavam apenas cumprindo ordens de Hitler. A tese não convenceu os juízes. Desde então, a jurisprudência internacional entende que ordens absurdas devem ser desobedecidas, doutrina esta adotada como fundamento do Tribunal Penal Internacional, de Haia.

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