19 Set 2019
Barlaeus

Barlaeus

Cronista, historiador, romancista e humanista republicano e democrata desde o império romano

Quinta, 11 Julho 2019 20:18

A ditadura do Congresso

A notícia de que para aprovar a Nova Previdência os deputados cobraram de 6 a 10 bilhões de reais do Executivo para programas próprios, as tais "emendas" com as quais mantém seus currais eleitorais, é mais um balde de água fria naqueles que acreditavam em alguma mudança na política brasileira após tudo o que aconteceu: a Lava Jato, a prisão de Lula e, por fim, a eleição, não somente de Jair Bolsonaro como supostamente de um novo Congresso.

Domingo, 07 Julho 2019 14:45

O Brasil não é o mesmo sem João

Com a morte de João Gilberto, aos 88 anos, vai embora uma era do Brasil, como não haverá mais.

João cantava MPB, mas dava à música popular estatura de música clássica.  Em seus shows, só aparecia vestido em traje social, de terno e gravata. Suas canções eram de banquinho e violão, mas ele cantava com um rigor e uma compenetração de concertista.

João inspirou toda uma geração de músicos e de música que transbrodou do Brasil para o mundo. Hoje a Bossa Nova Nova é música até no elevador de hotel em Nova ork. E ele, com seu biquinho e sua voz aveludada, foi o grande mentor e expoente inicial dessa onda, que deixou uam marca de inteligência e refinamento na culturanacional, hoje depauperada em rima, melodia e letra, sinal do empobrecimento geral da nossa educação.

O advogado Glenn Greenwald, principal sócio do The_Intercept, acusou a TV Globo de querer "encobrir" a divulgação do conteúdo que acabou saindo pelo seu próprio site. E lembrou que a Globo noticiou no Brasil o caso Snowden, o escândalo de espionagem do governo americano, pelo qual o próprio Greenwald se tornou conhecido. Snowden acabou refugiado na Rússia e ele, Greenwald,  sob risco de ir preso na Inglaterra, radicou-se no Rio de Janeiro.

O que Greewald não explicou foram as razões pelas quais a Globo não quis publicar o material, e que mostram a distância existente entre um veículo tendencioso, como o The_Intercept, e a mídia profissional. Não se trata do fato de a atual investigação atacar a operação Lava Jato, como Greenwald quis fazer parecer, como se a Globo quisesse proteger Sérgio Moro. Quando colocou no ar o caso Snowden, a Globo sabia qual era a fonte da informação (Edward Snowden) e sua confiabilidade. O que não acontece na situação atual.

A origem e a certeza da fonte são fatores decisivos para a credibilidade da informação e, por conseguinte, de quem a veicula e sustenta. O esforço de Greenwald em fazer o conteúdo circular por veículos com muito mais audiência que o dele mostra apenas seu empenho em colocar o objetivo político dessa ação acima dos interesses do seu próprio negócio. E que ele gostaria de usar a credibilidade de um veículo como a TV Globo para endossar a publicação de um conteúdo cuja origem lança mais suspeitas sobre Greenwald que sobre Moro.

Nenhum veículo de imprensa isento baseia sua política editorial na perseguição a um grupo político ou a pessoas - mas não é assim que  funciona The_Intercept, de Glenn Greenwald. No editorial em que explica a publicação das conversas hackeadas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o site explicitamente indica que se propõe a investigar Moro, os promotores da Lava Jato e determinados políticos, enquanto deixa de lado outros possíveis criminosos, como os ex-ministros do PT e o ex-presidente Lula.

"Esse é apenas o começo do que pretendemos ser uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, de Dental Dallagnol, e da Força-Tarefa da Lava Jato - além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detém um enorme poder político dentro e fora do Brasil", afirma o site.

A imparcialidade jornalística obriga a investigar tudo sobre todos - o princípio da isenção. Já The_Intercept não somente é partidário, ao criar um alvo preferencial, como suberverte valores. Coloca a Lava Jato como culpada, no lugar dos agentes da corrupção. Anuncia uma perseguição sistemática não somente à Lava Jato, como a indíviduos que, por antecipação, e antes de qualquer julgamento, considera nocivos ao país, enquanto os já julgados são tratados como inocentes.

Sexta, 07 Junho 2019 14:09

O estupro coletivo de Neymar

O Brasil adora queimar seus ídolos.

Não é de agora, nem só porque Neymar se envolveu com uma acusação de estupro.

Quinta, 30 Maio 2019 12:37

Os Reis Magos no "pacto de poderes"

Na Bíblia, os reis magos eram três, aqueles que seguiram a estrela-guia e encontraram Jesus recém nascido na manjedoura, início de uma nova era. No Brasil de 2019, eles são quatro, mas também são magos, porque acham que estão acima das instituições que representam e que podem decidir no lugar delas.

Quinta, 23 Maio 2019 12:16

O presidente incendiário

O presidente Jair Bolsonaro desistiu de ir pessoalmente às manifestações convocadas em defesa do governo no domingo, dia 26. Promover movimentos públicos contra outros poderes poderia lhe render impeachment, segundo foi alertado. Ainda bem que ainda há gente dentro do governo capaz de deter esses ímpetos, que vão colocando tudo a perder.

Segunda, 20 Maio 2019 15:05

Os militares caíram numa armadilha

Depois de humilhá-los por meio do franco-pensador Olavo de Carvalho, isolado de vez no governo, o presidente Jair Bolsonaro, tratou de trazer de volta para o seu lado os militares, que são colocados agora num jogo perigoso. 

Sábado, 18 Maio 2019 00:57

As "forças ocultas" de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro mandou  o franco-pensador Olavo de Carvalho "calar a boca", segundo o próprio Olavo, por estar tumultuando o governo com seus xingamentos e declarações, disparados a torto e a direito. Seria um pouco de tranquilidade, ou uma nova era? Que nada. O presidente agora se encarrega pessoalmente de disparar torpedos contra o próprio governo.

Como se explica que o presidente Jair Bolsonaro venha em defesa do franco-pensador Olavo de Carvalho, mesmo depois de seu aliado intelectual ofender da forma mais aviltante os militares, a começar pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, além dos generais da reserva que formam o mais alto escalão do governo?

Qual a justificativa para a anuência do presidente, diante de um colaborador que incendeia o próprio governo, chamado os militares de "bostas" e "covardes que se escondem atrás de um doente em uma cadeira de rodas" ? (No caso, o general Eduardo Villas Bôas, assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional, a quem o próprio Bolsonaro, na sua despedida do alto comando do Exército, já disse dever a própria eleição).

Como ele, que diz ver a maior importância nas Forças Armadas, inclusive na sua administração, não reprime um apoiador para quem a última contribuição da instituição à "alta cultura" no Brasil foi "a obra de Euclides da Cunha"?

Parece inexplicável, ou consoante com uma personalidade esquizofrênica, mas a explicação existe. E é a mais simples possível. Bolsonaro concorda com Olavo.

O presidente tem mostrado, no exercício do cargo, duas personalidades. Uma, hoje se sabe, é política. Em público, o presidente diz ter orgulho de ser militar, demonstra afeto pela sua origem e presta homenagem à instituição e seus integrantes. O outro Bolsonaro, o verdadeiro, tem razões antigas para nutrir pelos militares um ódio cujo tamanho só se enxerga agora.

Essa raiva vem de longe. Em 1986, ainda capitão do Exército, Bolsonaro escreveu um artigo, publicado na seção de opinião da revista Veja, em que reclamava dos baixos soldos. Essa aproximação com a revista fez com que ele revelasse à publicação, no ano seguinte, o plano de explodir uma série de bombas em quartéis do Rio de Janeiro - na prática um ato terrorista, com o objetivo de chamar a atenção do alto comando, em especial o ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Acreditava ser assim o verdadeiro defensor da causa militar.

Deu a entrevista sob sigilo - em jornalismo, o direito à proteção da "fonte". Contava a história, mediante o compromisso de seu nome não aparecer. Seu objetivo seria apenas causar alarme. "São só umas espoletas", minimizou.

Página 2 de 4