3 Jun 2020
Barlaeus

Barlaeus

Cronista, historiador, romancista e humanista republicano e democrata desde o império romano

No final da semana passada, quando a curva das contaminações pelo Covid começava a baixar nos Estados Unidos e na Rússia, o Brasil se tornou o único país com superpopulação a ver o número de contaminações e mortes ainda subindo como um foguete - e figurou no discurso da OMS como o novo "epicentro" da pandemia mundial.

Não podia dar outra, porque na periferia das metrópoles e em muitas cidades pelo interior do país a população permanecia na rua, infensa aos apelos das autoridades estaduais e municipais para manter o isolamento.

Quarta, 20 Maio 2020 15:27

Regina em um papel para se esquecer

Ícone da dramaturgia nacional, a atriz Regina Duarte, na sua passagem dos 72 para os 73 anos, resolveu fazer uma incursão na política, talvez o único papel que lhe faltava. Demorou a entrar, demorou para sair. Nesse meio, seu desempenho foi dos poucos da carreira na medida exata para se esquecer.

A maneira como o presidente Jair Bolsonaro se dirige aos seus ministros, em vídeo apresentado à Polícia Federal, é mais do que a simples tentativa de intervir para proteger seus familiares de investigação no Rio de Janeiro.

Usando palavrões e seu estilo falo-e-não-estou-nem-aí, o presidente se mostra à vontade, sem preocupação com sutilezas, nem com a lei. Quer o que quer, e acabou. Não é autoritarismo. É a mais pura truculência. Nem os militares no regime militar falavam assim. Pelo menos, eles se preocupavam com as aparências. Bolsonaro, ou o Bolsonero, como chamou a revista britânica Economist, não.

Pretorianismo é o termo utilizado no vocabulário político para designar o prática de colocar militares no nos cargos de governo, entregando às Forças Armadas tarefas exercidas pelos civis.

A expressão origina-se da guarda pretoriana, utilizada para defender os oficiais no centro dos acampamentos de guerra do exército romano, que passou a ser empregada mais tarde como o nome da guarda pessoal do imperador, a partir do reinado de Otaviano.

Muito chefes de Estado, especialmente em regimes autoritários, cercam-se de militares no poder. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fez do pretorianismo uma marca de sua gestão. Tem mais militares dentro do Palácio e dos ministérios do que havia até mesmo no regime militar, inundando os mais variados escalões com generais e outros oficiais.

Segunda, 20 Abril 2020 15:18

A conta da desigualdade social

O Brasil acompanhou de longe o desenrolar da pandemia, enquanto estava na Europa, como se não tivesse nada com isso. Parecia que o Primeiro Mundo estava com seus problemas e tomava sua lição. Acontece que a lição chegou ao Brasil. E a pandemia, num país que já se arrastava com uma crise, despreparado para enfrentar outra pior, ameaça se tornar implacável.

Quarta, 08 Abril 2020 00:21

Trump e o lado negro da força

É obrigação do jornalista manter a isenção, o que significa narrar os fatos, sem fazer juízo de valor. É difícil, porém, não fazer qualquer juízo de valor, diante do amontoado de fatos a a respeito do presidente americano, Donald Trump.

O Brasil é um país democrático, mas sua história é uma história da elite brasileira, que conduz os regimes e, na prática, levanta os nomes dos seus presidentes. Tem feito suas escolhas, e é hora de se perguntar se tem feito as escolhas melhores.

O pedaço mais influente do empresariado nacional apostou em 2018 no capitão Jair Bolsonaro, por algumas razões. Primeiro porque Bolsonaro, nas reuniões a portas fechadas, comprometeu-se em não tomar de volta o dinheiro que ganharam nos governos do PT, recuperando em impostos a imensa transferência de recursos do Estado, exaurido até quebrar, transferindo o dinheiro para o setor privado.

Sexta, 22 Novembro 2019 12:39

A democracia é mais atual que nunca

Cresce, em todo o mundo, a preocupação com a democracia. Na era digital, o sistema representativo, num mundo em permanente mutação, com pressão constante e direta pelas redes sociais, parece envelhecido.

Critica-se a lentidão das decisões do processo democrático e o que seria um bloqueio por parte do Congresso e da Justiça das reformas necessárias no Brasil e no mundo inteiro.  Teme-se que as redes sociais possam influir demais ou mesmo distorcer eleições e a própria democracia. 

"A defesa da liberdade de expressão depende da percepção de que, num livre mercado de ideias, as melhores vão vencer", disse Francis Fukuyama, o mesmo que, em um livro de sucesso do passado, já tinha anunciado o "Fim da História", como o triunfo final do liberalismo democrático. "Com os algoritmos das redes sociais, isso não é verdade."

Por essas razões, é melhor  lembrar por que até a pior democracia ainda é melhor que o melhor dos regimes autoritários.

Ao publicar em sua capa a identidade do porteiro do condomínio onde mora o presidente Jair Bolsonaro, a revista Veja pretendeu dar um "furo" de reportagem - uma notícia exclusiva, no jargão jornalístico. Na verdade, praticou um tipo de jornalismo que só pode ser classificado de duas formas: inconsequente, ou tendencioso. Juntou mais um enigma a uma teia de perguntas que relacionam o nome de Bolsonaro à morte da vereadora Marielle Franco. E que, se não configuram prova  alguma, bastam no mínimo para mostrar que o Brasil gosta de viver perigosamente.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, membro da tríade bolivarianista sulamericana, cujas outras duas pontas são Lula e Nicolás Maduro, renunciou neste domingo, expelido pelas Forças Armadas, sob pressão popular.

Seu governo de opereta ficou insustentável, depois da revolta popular na qual as casas de sua irmã e de dois governadores foram incendiadas.

A explosão de ódio é o ponto final da desilusão com a falta de soluções para a retomada do emprego e a redução das desigualdades sociais, além, no caso boliviano, da falta de liberdade.

Não são apenas as ideologias de esquerda que estão sendo asfixiadas. Na Argentina, o capitalismo liberal de Macri perdeu para o kirschnerismo, que voltou ao poder, mais por Macri ter sido um desastre pior que por fé nas fórmulas da esquerda populista.

O Chile, outro modelo do capitalismo liberal com o qual se prometeu melhorar a vida da população, também foi tomado pelas manifestações de rua, a partir de um aumento de centavos no transporte público, que foi a gota d' água.

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