17 Jun 2019
Barlaeus

Barlaeus

Cronista, historiador, romancista e humanista republicano e democrata desde o império romano

Nenhum veículo de imprensa isento baseia sua política editorial na perseguição a um grupo político ou a pessoas - mas não é assim que  funciona The_Intercept, de Glenn Greenwald. No editorial em que explica a publicação das conversas hackeadas do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o site explicitamente indica que se propõe a investigar Moro, os promotores da Lava Jato e determinados políticos, enquanto deixa de lado outros possíveis criminosos, como os ex-ministros do PT e o ex-presidente Lula.

"Esse é apenas o começo do que pretendemos ser uma investigação jornalística contínua das ações de Moro, de Dental Dallagnol, e da Força-Tarefa da Lava Jato - além da conduta de inúmeros indivíduos que ainda detém um enorme poder político dentro e fora do Brasil", afirma o site.

A imparcialidade jornalística obriga a investigar tudo sobre todos - o princípio da isenção. Já The_Intercept não somente é partidário, ao criar um alvo preferencial, como suberverte valores. Coloca a Lava Jato como culpada, no lugar dos agentes da corrupção. Anuncia uma perseguição sistemática não somente à Lava Jato, como a indíviduos que, por antecipação, e antes de qualquer julgamento, considera nocivos ao país, enquanto os já julgados são tratados como inocentes.

Sexta, 07 Junho 2019 14:09

O estupro coletivo de Neymar

O Brasil adora queimar seus ídolos.

Não é de agora, nem só porque Neymar se envolveu com uma acusação de estupro.

Quinta, 23 Maio 2019 12:16

O presidente incendiário

O presidente Jair Bolsonaro desistiu de ir pessoalmente às manifestações convocadas em defesa do governo no domingo, dia 26. Promover movimentos públicos contra outros poderes poderia lhe render impeachment, segundo foi alertado. Ainda bem que ainda há gente dentro do governo capaz de deter esses ímpetos, que vão colocando tudo a perder.

Sábado, 18 Maio 2019 00:57

As "forças ocultas" de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro mandou  o franco-pensador Olavo de Carvalho "calar a boca", segundo o próprio Olavo, por estar tumultuando o governo com seus xingamentos e declarações, disparados a torto e a direito. Seria um pouco de tranquilidade, ou uma nova era? Que nada. O presidente agora se encarrega pessoalmente de disparar torpedos contra o próprio governo.

Como se explica que o presidente Jair Bolsonaro venha em defesa do franco-pensador Olavo de Carvalho, mesmo depois de seu aliado intelectual ofender da forma mais aviltante os militares, a começar pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, além dos generais da reserva que formam o mais alto escalão do governo?

Qual a justificativa para a anuência do presidente, diante de um colaborador que incendeia o próprio governo, chamado os militares de "bostas" e "covardes que se escondem atrás de um doente em uma cadeira de rodas" ? (No caso, o general Eduardo Villas Bôas, assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional, a quem o próprio Bolsonaro, na sua despedida do alto comando do Exército, já disse dever a própria eleição).

Como ele, que diz ver a maior importância nas Forças Armadas, inclusive na sua administração, não reprime um apoiador para quem a última contribuição da instituição à "alta cultura" no Brasil foi "a obra de Euclides da Cunha"?

Parece inexplicável, ou consoante com uma personalidade esquizofrênica, mas a explicação existe. E é a mais simples possível. Bolsonaro concorda com Olavo.

O presidente tem mostrado, no exercício do cargo, duas personalidades. Uma, hoje se sabe, é política. Em público, o presidente diz ter orgulho de ser militar, demonstra afeto pela sua origem e presta homenagem à instituição e seus integrantes. O outro Bolsonaro, o verdadeiro, tem razões antigas para nutrir pelos militares um ódio cujo tamanho só se enxerga agora.

Essa raiva vem de longe. Em 1986, ainda capitão do Exército, Bolsonaro escreveu um artigo, publicado na seção de opinião da revista Veja, em que reclamava dos baixos soldos. Essa aproximação com a revista fez com que ele revelasse à publicação, no ano seguinte, o plano de explodir uma série de bombas em quartéis do Rio de Janeiro - na prática um ato terrorista, com o objetivo de chamar a atenção do alto comando, em especial o ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Acreditava ser assim o verdadeiro defensor da causa militar.

Deu a entrevista sob sigilo - em jornalismo, o direito à proteção da "fonte". Contava a história, mediante o compromisso de seu nome não aparecer. Seu objetivo seria apenas causar alarme. "São só umas espoletas", minimizou.

Passados os primeiros meses, já se podem dizer algumas coisas a respeito do governo Bolsonaro. A principal delas é que se trata de um governo politicamente fraco - ainda mais débil, em matéria de sustentação política, que o de Michel Temer.

Afastado do Congresso, do seu próprio partido e agarrado a outros aliados misóginos, como o franco-pensador Olavo de Carvalho, o presidente se isola no Palácio do Planalto da mesma forma que se isolava no Congresso Nacional.

Nos corredores dos edifícios do poder em Brasília, corre por enquanto um pacto feito aos sussurros, segundo o qual é melhor que Bolsonaro vá até o fim de seu mandato, do jeito que está: nem forte que possa sonhar em concorrer novamente à presidência, nem tão fraco que traga de volta o fantasma do lulismo.

É nesse segundo ponto que moram as grandes preocupações. Porque há muitos fatores capazes de deixá-lo pelo meio do caminho.

Terça, 23 Abril 2019 14:25

O espantalho de Bolsonaro

Quando escolheu para vice de sua chapa o general Hamilton Mourão, o presidente Jair Bolsonaro brincou, bem ao seu estilo, que o colocara no posto porque se eleito ninguém iria querer levantar contra ele um processo de impeachment. Todos teriam medo de ver entrar no seu lugar, como um espantalho, o então polêmico general.

A decisão foi um tiro pela culatra. Desde a campanha, e depois no governo, Mourão deixou de ser piada. Mostrou-se um político leve e desenvolto, com muito mais cintura que o próprio Bolsonaro.

Circula entre os políticos que o próprio presidente rejeita, fala sem problemas com toda a imprensa, que Bolsonaro boicota, e defende um governo mais ao centro, próximo do Congresso, técnico ou profissional, enquanto o titular do Planalto faz questão de empurrar adiante sua faceta ideológica mais agressiva, contra a maioria pacífica e mais civilizada do país.

Ao agarrar-se demais às suas antigas ideias, que se misturam às do guru Olavo de Carvalho, Bolsonaro acabou isolando-se no governo. E viu o espantalho que plantou para assustar os políticos passar a assustar ele mesmo.

Enquanto o próprio  Bolsonaro convive agora com a imagem de um governante com pouco conhecimento de causa, meio desastrado e até agora inoperante, Mourão é o homem que tenta ajudar, contrabalançando o governo com um pouco de objetividade, simpatia e bom senso.

Um princípio básico do regime democrático é que o governante é eleito para fazer não o que ele quer, mas o que o povo quer que ele faça.

Todo político tem seus projetos pessoais, ideais e ideias, mas não pode colocá-los na frente da vontade da maioria. Dessa forma, tende a isolar-se, perder legitimidade e, no limite, o próprio poder.

É o que está acontecendo com o presidente Jair Bolsonaro, cuja opção por seguir apenas a si mesmo colocou para andar a galope um processo de deslegitimação do governo que pode atirá-lo fora do Palácio do Planalto.

Terça, 09 Abril 2019 11:18

Os cães vestidos como homens

"Desejo toda sorte do mundo ao ministro Weintraub, e só advirto: se aparecer algum Croquetti dando palpite, esconda-se no banheiro", escreveu no Twitter Olavo de Carvalho.

O mentor intelectual da extrema direita adotado pelos Bolsonaro aconselhou assim Abraham Weintraud, que entrou no Ministério da Educação no lugar de Ricardo Vélez, olavista defenestrado após três meses de turbulências cotidianas, para fazer o mesmo papel que seu antecessor - se possível, melhor.

"Croquetti" é uma referência ao coronel aviador Ricardo Roquetti, ex-assessor especial de Vélez, que teria perseguido e afastado membros do olavismo da pasta para instalar seu próprio pessoal. E contém um trocadilho com Fido Gabriel Croquetti, pseudônimo de um artista satírico que coloca cachorros no lugar de personagens de quadros clássicos.

Carvalho refere-se a inimigos ideológicos, que para ele são como cães, mas a imagem bem poderia servir também para ele, que reveste de uma suposta erudição um comportamento de viralata, o cachorro sem estirpe, nem educação.

Quarta, 27 Março 2019 13:48

Bolsonaro fica com cara de Jânio Quadros

Era uma vez um presidente que se elegeu com promessas de acabar com a corrupção no Brasil. Entrou no governo com enorme apoio popular. Governava mandando recadinhos informais para politicos e colaboradores do governo, preterindo a imprensa e os meios oficiais de comunicação. Sem conseguir passar nada no Congresso, onde bateu recordes de rejeição, seu governo ficou paralisado.

Você pode achar tudo isso muito contemporâneo e familiar, mas estamos falando de Jânio Quadros, no ano de 1961. Dono de um estilo controverso, com seus famosos bilhetinhos, a versão da época do Twitter, Jânio conseguiu rapidamente construir uma parede de oposição no meio político e dentro da sua  própria administração, criando desafetos por todos os lados.

Acabou renunciando, na esperança de que o clamor popular o fizesse voltar de novo ao governo e com mais força para impôr-se diante do Congresso.

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