23 Jul 2019
A República

A República

Terça, 02 Julho 2019 01:57

O triunfo de Bolsonaro

Assim como o presidente Jair Bolsonaro, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, resolveu adotar a prática do café da manhã com jornalistas. Nesta segunda-feira, no primeiro desses eventos, disse que o ataque aos celulares do promotor Deltan Dallagnol e so ministro Sérgio Moro são um caso de "segurança de Estado".

O presidente Jair Bolsonaro vive no governo como o mitológico deus Cronos, que devorava os próprios filhos, por medo de ter seu poder tomado por um deles, conforme uma profecia. Com a diferença de que Bolsonaro usa os próprios filhos para devorar seus auxiliares. A vítima da vez agora é o general Augusto Heleno, chefe do gabinete de Segurança Institucional, seu braço direito e homem que faz o governo funcionar.

Heleno é mais um militar na linha de tiro do filho Carlos, que usa o Twittter como um espécie de sinalizador do próximo alvo. Apega-se a qualquer coisa como munição. No caso de Heleno, a prisão do sargento da Aeronáutica   Manoel Silva Rodrigues, que contrabandeava cocaína e foi preso no aeroporto de Sevilha - algo que, segundo Carlos, deveria estar no radar do GSI.

O ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ)  surgiu para a politica como líder dos "carapintadas", estudantes que tomaram as ruas com o rosto tingido de verde amarelo contra a corrupção no governo Fernando Collor, que terminou renunciando pouco antes de sacramentado seu impeachment no Congresso. Vejamos no que deu. Defensor habitual do ex-presidente Lula, e frequentador do noticiário dando lições de moral para cima de gente como o promotor da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, Farias agora é ele mesmo alvo de investigação, depois de revelado em delação premiada do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, que teria recebido 5 milhões de reais em propina. Cabral delatou também ter intermediado outros  6 milhões de reais para Eduardo Paes, na campanha para a prefeitura da capital fluminense, em 2012.

As manifestações nas principais capitais do país neste último domingo deixaram como saldo uma certeza e uma dúvida .

A certeza é de que a Lava Jato ainda é muito associada ao atual ministro da Justiça - e o apoio a ambos segue de forma incondicional para uma parcela expressiva da população.

De vez em quando, o mundo dá um passo adiante no processo civilizatório. Um deles aconteceu nesta sexta-feira, quando foi anunciado, após duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Dessa forma, o presidente Jair Bolsonaro, que anunciou o desejo de deixar o Mercosul e alardeou sua preferência por aumentar as relações comerciais com os Estados Unidos, aconteceu de ser o líder brasileiro a assinar com a UE o mais importante documento comercial do Brasil da era democrática, que elimina barreiras, abre mercados e institui padrões mais altos em outras áreas, como o respeito ao meio ambiente.

Uam vez fato consumado, o presidente logo se passou para a defesa do acordo, que prevê eliminar 90% das barrera alfandegárias entre a Europa e a América do Sul nos próximos dez anos.  "Prometi que faria comércio com todo o mundo, sem viés ideológico", escreveu, no Twitter. "Não foi retórica vazia de campanha, típica da velha política. É pra valer! Estou cumprindo mais essa promessa, que renderá frutos num futuro próximo."

Seguindo a agenda que incluiu encontros com Donald Trump, dos Estados Unidos, Angela Merckel, da Alemanha, e Emmanuel Macron, da França, o presidente Jair Bolsonaro marcou a posição brasileira de reagir à pressão ambiental. São os países desenvolvidos os maiores poluidores do planeta, mas jogam sobre o Brasil a responsabilidade de cuidar da preservação em seu lugar, em detrimento do crescimento econômico. "Não vim aqui para ser advertido", disse Bolsonaro logo na chegada, logo após Merkel afirmar que queria ter com ele uma "conversa clara".

Bolsonaro indicou, nesses encontros e publicamente, que o Brasil não aceita esse tipo de subordinação. Tem tanto direito ao desenvolvimento quanto os países desenvolvidos têm obrigação de fazerem um esforço maior e próprio de preservação ambiental. 

O Brasil venceu na noite de quinta-feira o Paraguai, nos pênaltis, após dramático empate por 0 a 0 no tempo normal, e classificou-se para a semifinal da Copa América de futebol.

Foi o fim de uma barreira psicológica, já que por duas edições do torneio, em 2011 e 2015, a seleção brasileira não passava pelos paraguaios - e, justamente, nos pênaltis.

Quinta, 27 Junho 2019 17:14

PSL já vive sob pressão da Justiça

A prisão nesta quinta-feira de Mateus Von Rondon, assessor do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), mostra que o partido do presidente Jair Bolsonaro já convive com as mesmas pressões da Justiça que o PT. Lotado no Turismo como assessor especial, ele é figura central no esquema de candidaturas fajutas, criadas para engordar os cofres dos caciques da legenda com o dinheiro do fundo partidário em 2018.Operou o laranjal de Álvaro Antônio desde 2013 ao início deste ano por meio de uma empresa de serviços de internet e marketing que tinha um único cliente: o próprio ministro, que apresentou notas fiscais à Câmara para explicar gastos de sua cota parlamentar.

Um sargento da Força Aérea Brasileira, Manoel Silva Rodrigues, foi detido na terça-feira no aeroporto de Sevilha, na Espanha, sob a acusação de transportar 39 quilos de cocaína dentro do avião da equipe que dá suporte à comitiva do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ele integrava a comitiva de 21 militares que partiu de Brasília rumo a Tóquio, no Japão, com escala na cidade espanhola.

Segundo o vice-presidente da República e presidente em exercício, general Antônio Hamilton Mourão, o miitar ficaria na Espanha para fazer a viagem de volta como tripulante no avião de Bolsonaro de Sevilha ao Brasil.