18 Out 2021

UNESCO denuncia mortes por "remédio do Bolsonaro"

  Seg, 11-Out-2021
Proxalutamida: aplicação em policiais Proxalutamida: aplicação em policiais

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura denunciou a morte de 200 mortes de voluntários de pesquisa clínica com a proxalutamida feita no Amazonas como uma uma violação aos direitos humanos e à éticas das "mais graves e sérias da história da América Latina".

A entidade divulgou uma declaração na Rede Latino-americana e Caribenha de Bioética (Redbioética-Unesco), com base na denúncia da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa à Procuradoria-Geral da República em setembro.

 Vetada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a substância teve sua aplicação contra o coronavírus estimulada publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro. Um bloqueador de hormônio masculino, a proxalutamida, assim como a cloroquina, mais um remédio prescrito pelo presidente da República não teve eficácia comprovada contra a Covid-19.

“É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros”, indicou a Unesco. “Qualquer alteração em um protocolo de pesquisa deve ser aprovada pelo sistema de ética em pesquisa local”, diz o comunicado.

 Alarme

Causou alarme à entidade também o fato de, apesar de terem conhecimento das mortes e de efeitos adversos graves, pesquisadores continuarem o recrutamento e a execução dos estudos, processo que lembra mais os experimentos nazifascistas da Segunda Guerra Mundial que que uma atividade científica do Século XXI.

Chamou a atenção da Unesco, ainda a suspeita de que o comitê científico da pesquisa tenha sido coordenado por pessoas vinculadas aos patrocinadores do estudo. Com isso, o interesse comercial se sobreporia à validade científica dos experimentos.

Para a realização de ensaios clínicos, é exigida a supervisão de entidades encarregadas de preservar condições éticas e de segurança. A proxalutaminada é fabricada pela farmacêutica chinesa Kintor. Foi aplicada experimentalmente também em pacientes internados no Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre - isto é, em doentes de Covid da polícia gaúcha.

“É urgente que, em caso de irregularidades comprovadas, todos os atores sejam responsabilizados, não só de forma ética mas também legalmente, incluindo as equipes de investigação, as instituições e patrocinadores responsáveis, nacionais e estrangeiros”, afirma a Unesco. “É urgente identificar as causas das mortes ocorridas durante os estudos. É inaceitável que esses tipos de eventos, se verificados, estejam acontecendo no ano de 2021.”