25 Mai 2019

Prisão de PMs avança a investigação da morte de Marielle

  Ter, 12-Mar-2019
Lessa: na vizinhança Lessa: na vizinhança

Um policial militar reformado e um ex-PM foram presos na madrugada desta terça-feira, por suspeita de envolvimento direto no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista do carro onde estavam, Anderson Gomes, em março do ano passado.

O policial reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46, são suspeitos de envolvimento com milícias que exploravam o mercado de imóveis no Rio de Janeiro e tinham um padrão de vida inexplicável pelo salário da carreira policial. Lessa é morador do mesmo condomínio de alto padrão que o presidente Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca, onde foi encontrado.

De acordo com a Promotoria, Lessa é apontado como o autor dos disparos. Já expulso da PM por fazer "segurança ilegal", Queiroz estaria conduzindo o carro usado no crime. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio qualificado.

Com esse movimento, a Polícia do Rio se aproxima do esclarecimento da morte de Marielle. À família, a Polícia deu sinais de que ainda investiga os mandantes do crime.

Lessa teve pedida pelo MP a suspensão da sua remuneração e do porte de arma de fogo do policial militar reformado. E o pagamento de uma indenização por danos morais aos familiares das vítimas, com uma pensão para o filho menor de Anderson, que tem dois, anos, até que complete 24.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios e munições.

"A empreitada criminosa foi meticulosamente planejada durante os três meses que antecederam o atentado", afirmou a Promotoria em nota oficial. Segundo o documento, "é inconteste que Marielle foi sumariamente executada em razão da atuação política".

O assassinato de Marielle foi "meticulosamente planejado" três meses antes do crime, segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, Lessa pesquisou regularmente na internet a vida de Marielle e os locais que ela frequentava.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), na época deputado estadual, também foi pesquisado, assim como o interventor na segurança pública do Rio, general Braga Neto.

Expulsão

Suspeito de ser o motorista do carro usado no crime, Queiroz foi expulso da PM por trabalhar num grupo de 13 "seguranças" em casas ilegais de jogos de azar no bairros de Bonsucesso, Barra do Guaratiba e Botafogo. A rede foi desbaratada na Operação Guilhotina, em que acabaram denunciadas pela Polícia Federal 43 pessoas em fevereiro de 2011.

Desvendou-se então um esquema de corrupção policial com venda de informações sobre operações e armas do tráfico, além do serviço ilegal de vigilância.

Queiroz, lotado no 16º Batalhão da PM, em Olaria, acabou sendo expulso em 2016 pela Corregedoria Geral Unificada da Secretaria da Segurança Pública com outros sete PMs da corporação.

Planejamento

A irmã, a mãe e a viúva de Marielle afirmam que ainda é preciso encontrar o mandante do crime. "Eu me sinto aliviada, mas não é suficiente", disse a mãe de Marielle, Marinete Silva, em entrevista à BandNews FM. "A família quer, Deus queira, e eu como mãe, que a gente saiba que foi o mandante do assassinato da minha filha."

"É bom a gente ressaltar que não basta a gente prender ratos mercenários, isso é só uma pequena parte, obviamente importante", disse a companheira de Marielle, Mônica Benício. "Mas a resposta mais importante que tem que ver é que quem mandou matar e qual foi a motivação desse crime."

 É cedo ainda para tirar conclusões sobre a morte de Marielle. A Justiça, porém, vai fazendo seu trabalho - e a prisão dos envolvidos mais diretos pode ser um grande passo para a solução completa do caso.