26 Jan 2020

Porteiro volta atrás na citação a Bolsonaro

  Qua, 20-Nov-2019
A portaria: versões controversas A portaria: versões controversas

O porteiro do condomínio Vivendas da Barra,onde mora o presidente Jair Bolsonaro, prestou novo depoimento na última terça-feira, dessa vez ao cargo da Polícia Federal. E disse que errou ao atribuir ao presidente a autorização para a entrada de um dos acusados da morte de Marielle Franco na noite do crime. Aos investigadores, afirmou ter se sentido confuso durante os dois depoimentos dados à Polícia Civil em outubro.

Nas duas vezes em que foi ouvido por investigadores da Polícia Civil, em 7 e 9 de outubro, o porteiro confirmou que foi "seu Jair" quem autorizou a entrada do ex-PM Élcio de Queiroz no condomínio.

Élcio teria ido à casa do policial militar reformado Ronnie Lessa, o outro réu pelas mortes de Marielle e do motorista Anderson Gomes. A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio acreditam que eles saíram juntos dali para cometer o crime. Bolsonaro morava no condomínio mas se encontrava em Brasília.

Uma anotação no controle de acesso ao condomínio registra a entrada de Élcio para a casa 58, de Bolsonaro. Registros da Câmara dos Deputados mostram que ele, então deputado federal, estava em Brasília, onde votou por duas vezes em plenário. Porém, não se sabe se, eventualmente, atendeu o sinal da portaria por meio de uma transferência para seu telefone celular.

Dessa forma, a Polícia Federal deve aguardar a perícia dos dispositivos de armazenamento e gravação de chamadas da portaria do condomínio para certificar-se do novo depoimento do porteiro.

Segundo fontes ouvidas pelo UOL, o porteiro disse que, primeiro, errou na anotação, trocando os números 58 por 65. Depois afirmou que ficou nervoso ao explicar o episódio e disse que ouviu a voz de "seu Jair" na casa 58, mas que o carro foi parar na casa de Ronnie.

O funcionário destava acompanhado por defensores públicos e depôs por aproximadamente 3 horas. A PF confirma que o depoimento ocorreu, mas diz que seu teor está sob sigilo.

O porteiro foi ouvido em inquérito aberto a pedido do ministro Sérgio Moro, da Justiça. O procurador-geral da República Augusto Aras determinou que o porteiro seja investigado por obstrução de justiça, falso testemunho, denunciação caluniosa e por violação de um artigo da Lei de Segurança Nacional, promulgada durante a ditadura militar.