28 Nov 2021

PCC mata, ameaça e corrompe

  Ter, 05-Dez-2017

Na terça, dia 5, dois presidiários em ação orquestrada pelo Primeiro Comando da capital, o PCC, assassinaram um ex-dirigente da própria organização, no pátio da penitenciária de Presidente Venceslau. Edilson Nogueira Borges, de 44 anos, conhecido como o "Birosca", que já foi considerado o segundo homem da hierarquia do PCC, após Marco Herbas Camacho, o Marcola, foi agarrado no pátio durante o banho de sol e morto rapidamente a golpes de estilete.

Além de queimar o antigo colaborador, a organização instala o terror nos presídios com o assassinato de funcionários e coloca policiais em sua folha de pagamento.

Com isso, o PCC mostra que sua rede ainda funciona dentro e fora das penitenciárias de forma sistemática. Em maio passado, a organização mandou matar a psicóloga do presídio Federal de Catanduvas (PR), Melissa de Almeida de Araújo, que ali realizava trabalho de assistência, como forma de instalar um regime de terror contra funcionários.

A psicóloga de 37 anos, mãe de um bebê de 10 meses, foi a terceira funcionária a ser assassinada recentemente pelo PCC, no que a Polícia Federal concluiu ser um trabalho metódico de intimidação nos quatro presídios federais do país - além de Catanduvas, há os de Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO)

Em 2 de setembro de 2016, foi morto o agente penitenciário Alex Belarmino Almeida Silva, com 23 tiros, em Cascavel, no Paraná. Em 14 de abril passado, o agente do presídio de Mossoró, Henry Charles Gama Filho foi também assassinado a tiros num bar da cidade.

 

Lista da morte

Chegou ao conhecimento da polícia  uma lista de funcionários de presídios de todo o Brasil que estariam marcados para morrer, como política de intimidação nos quatro presídios federais do país. Como no caso de Melissa, seriam nomes randômicos, uma espécie de roleta russa, instalada para instalar o medo e paralisar a ação dos agentes penitenciários como um todo.

Além de instalar o medo nos presídios, o PCC tem procurado apodrecer a polícia, colocando-a de forma sistemática na sua folha de pagamento. Esta semana, 30 policiais civis de São José dos Campos receberam ordem de prisão, acusados de ligação com a organização. 

Além deles, forma acusados de colaboração com o PCC uma advogada, um ex-policiail e narcotraficantes, arrolados na investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime organizado (Gaeco), órgão do Ministério Pùblico. 

Intimidação

De acordo com o Gaeco, os policiais envolvidos na operação são acusados, entre outras coisas, de sequestrar um traficante que transportava 231 quilos de maconha, em vez de prendê-lo, para exigir pagamento de resgate.

Teriam exigido de sua mãe 10 mil reais para libertá-lo, junto com as drogas dos seus contratantes. "Os referidos policiais não só liberaram o sequestrado como também devolveram aos traficantes as drogas com ele apreendidas", afirma o Gaeco em seu relatório.

Além de drogas, os policiais recuperavam motocicletas de criminosos roubadas e instalavam a "lei do PCC" no bairro Campo dos Alemães. Eram mantidos na folha de pagamento em troca de vista grossa para a ação dos narcotraficantes.

Um deles teria recebido 14,4 mil reais em propina de traficantes e era sócio de um fornecedor de drogas que usava uma distribuidora de gás e uma casa de prostituição como base para seus negócios.

"O patrimônio deste policiail civil é incompatível com a renda de funcionário público", sustenta a denúncia. Entre outros bens, ele teria na garagem um Mitsubishi Pajero Dakar e um Chevrolet Camaro.  

Cobrança de dívida

Para matar a psicólogo no Paraná, o PCC teria usado dois criminosos que estariam suspensos da organização - isto é, devendo algum favor. Com o assassinato, ficariam quites e poderiam ser reintegrados. No caso de Birosca, os assassinos eram também "devedores" do PCC: Danilo Antônio Cirino Felix, 29 anos, o "ontanha", que segurou a vítima, e Gilberto Souza Barbosa Silva, 46 anos, o "Caveirinha", que o golpeou com o estilete. Acusados de homicidio qualificado, de acordo com a penitenciária serão enviados ao centro de readaptação Penitenciária Dr. José Ismael Pedrosa, em Presidente Bernardes (SP).