20 Fev 2019

Paranoia se instala em cidades sob barragens

  Sex, 08-Fev-2019
Famílias reunidas no ginásio em Cocais: medo Famílias reunidas no ginásio em Cocais: medo

 

Moradores de Barão de Cocais e Itatiaiuçu, em Minas Gerais, deixaram suas casas na madrugada nesta sexta-feira sob alerta de risco nas barragens próximas.

Duas semanas após o rompimento da barragem da Vale do Rio Doce em Brumadinho, que deixou 157 mortos e 182 desaparecidos, a paranoia se instala nas localidades próximas a outras 50 barragens da companhia que funcionam no mesmo modelo.

Nos dois municípios, foi acionado o plano de emergência elaborado pela Agência Nacional de Mineração, com toque de sirena pra evacuar a população.

Em Barão de Cocais, a 100 km de Belo Horizonte, cerca de 500 pessoas das comunidades de Socorro, Tabuleiro e Piteiras tiveram de abandonar a região.
Moradores próximos da barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, também da Vale, também tiveram de sair.

Em sua página no Facebook, a prefeitura disse ter sido informada que houve um "desnível na estrutura" da barragem. A sirene foi acionada por precaução. Técnicos da Vale monitoram a alteração na barragem, onde foi detectado um "desnível na estrutura".

Em nota, a Vale afirma que a decisão foi "preventiva". A empresa de consultoria internacional Walm negou-se a dar uma "declaração de Condição de Estabilidade à estrutura" em Gongo Soco.

"Como medida de segurança, a Vale está intensificando as inspeções da barragem Sul Superior", firmou a empresa no documento."Também será implantado equipamento com capacidade de detectar movimentações milimétricas na estrutura."

Consultores internacionais farão uma nova avaliação sobre a estrutura da barragem no domingo. À rádio BandNews FM, o prefeito de Barão e Cocais, o dentista Décio Geraldo dos Santos, afirmou que a barragem está desativada e não se rompeu.

A população foi levada para escolas e um ginásio poliesportivo, antes de serem realocadas para hotéis.

Em Itatiaiuçu, a 78 km de Belo Horizonte, moradores do do distrito de Pinheiros também foram evacuados por suspeita de risco na barragem da siderúrgica ArcelorMittal.

Numa país onde nada mais parece seguro, a paranoia se generaliza. O plano de desativação de barragens a montante, como Brumadinho, começou a ser colocado em ação, mas a empresa prevê um período de até cinco anos para ser completado. Nesse período, milhares de pessoas terão de conviver com o medo - ou mudar.