23 Jul 2019

O ex-governador do Espírito Santo, Gerson Camata, 77 anos, pertenceu a uma geração de políticos que brilhou na Nova República, o regime pelo qual o Brasil foi recolocado no mundo politicamente civilizado e economicamente organizado após a ditadura militar. A bordo do PMDB, depois do PSDB, brilhava ainda mais ao lado da mulher, Rita Camata, com quem formou um casal de políticos com influência até hoje.

Jornalista e político, depois deputado estadual, federal e senador constituinte, além de governador, Camata foi assassinado na Praia do Canto, em Vitória. Durante uma discussão no meio da rua, na quarta-feira, dia 26, levou um tiro de um ex-assessor, Marcos Venicio Moreira Andrade, com quem trabalhou por duas décadas.

Aos 60 anos completados em março, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, foi personagem central da vida brasileira em 2018. Num ambiente de insegurança jurídica, em que o STF chegou a ser classificado como "vergonha nacional" pelas mudanças e desvios, em que a democracia trafegou em meio à crise da política e das instituições abaladas pela corrupção, Barroso foi a ilha de segurança em meio às incertezas.

Tornou-se no STF a coluna mestra de apoio da Lava Jato, colocada em risco pelos adversários da prisão após a condenação em segunda instância. Como relator do processo que julgou o habeas corpus de Lula, sustentou o prumo jurídico que manteve o ex-presidente na cadeia, e, ao proibir o uso da imagem do líder petista na campanha, a ordem na corrida eleitoral. Entre o PT de Lula e o receio de Jair Bolsonaro, as opções restantes no segundo turno da eleição, foi o homem que veio no momento exato em favor dos princípios democráticos e da decisão popular: "Quem ganha, leva", disse ele. "E quem leva, respeita quem perdeu."

Por esse conjunto de ações, e o que representaram, não apenas em 2018 como para o futuro, Barroso foi escolhido "Personalidade do Ano" de A República.

O circo foi instalado nesta quinta-feira pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, que decidiu acolher uma Ação Declaratória de Constitucionalidade  movida pelo PcdoB, por meio da qual autoriza a libertação de todos os presos condenados em segunda instância. Com isso, acabou abrindo as portas da cadeia para um número estimado em 150 mil presos, a começar pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. A decisão levantou uma onda de indignação no país e foi derrubada na sequência pelo presidente do STF, Dias Toffoli, chamado a restaurar a ordem pela rocuradora-geral da República, Raquel Dodge.  Contudo, ficou no ar a manobra de terrorismo togado, aplicado com rigor maquiavélico e a intenção de criar o caos.

O resultado da batida policial na casa do médium João de Deus, acusado por mais de 500 mulheres de assédio sexual, é ainda mais surpreendente que as acusações que pesam contra ele. No quarto do médium, a polícia encontrou quase meio milhão de reais em dinheiro vivo, cédulas em moedas de diversos países, , armas e munição. Lembra mais o esconderijo de um chefe da máfia que a casa de um líder espiritual.

É tarde demais para voltar atrás no aumento salarial concedido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal a eles mesmos, e referendado pelo Congresso, que elevou para 39 mil reais não apenas seus rendimentos como o teto de todo o funcionalismo público federal. Em compensação, os ministros cumpriram sua promessa de extinguir o auxílio-moradia, penduricalho que servia como aumento informal dos ganhos dos juízes, mesmo aqueles que têm casa própria na cidade onde trabalham.

O ministro do Supremo Tribunal Luiz Fux determinou a prisão do ex-ativista italiano Cesare Battisti, medida que revoga liminar anterior, deferida pelo próprio Fux, que preservava sua liberdade. Com a prisão,  Fux visou evitar uma possível fuga e recolocar a extradição novamente sob julgamento por parte do presidente da República. 

Inopinadamente, antes mesmo da prisão de Battisti, e menos de 24 horas depois da decisão de Fux, o presidente Michel Temer tomou da caneta e, sem deixar a tarefa para seu sucessor, como um de seus últimos atos de governo assinou na tarde da última sexta-feira o decreto da extradição. Temer havia se encontrado horas antes com o presidente eleito Jair Bolsonaro, mas, segundo o secretário de comunicação do Palácio do Planalto, Márcio Freitas, eles não chegaram a discutir o assunto.

Desde 2017, a ITU, agência da ONU responsável por tecnologias de informação e comunicação, estabeleceu junto aos países signatários uma agenda de implantação da tecnologia 5G, a nova geração de banda larga para internet. Porém, especialistas começam a ver dificuldades, tanto na sua implantação quanto em seus benefícios. 

O curandeiro espírita João Teixeira de Faria, o João de Deus, 76 anos, está realizando o milagre de transformar sua fama de líder espiritual popular em criminoso abusador de mulheres. De acordo com uma série de denúncias, surgidas a partir de uma reportagem do jornalista Pedro Bial, da TV Globo, João de Deus teria usado de sua influência para aproximar-se de seguidoras e abusar sexualmente delas no centro Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, estado de Goiás.

Um brasileiro instalado no avião vê o ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Levandowski, e, conforme a prática nacional, resolve fazer o que muitos brasileiros têm feito há muito tempo: achincalhar a autoridade. "O Supremo é uma vergonha, viu?", diz o cidadão. "Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês". Mais do que a ofensa à instituição, está a má intenção: com o celular ligado, ele grava  a cena, já pensando nos quinze minutos de fama na internet como o valentão que passou um sabão numa figura de proa da República. Dois detalhes. O cidadão brasileiro, Cristiano Caiado de Acioli, 39 anos, é advogado, filho da subprocuradora-geral da República aposentada Helenita Amélia Gonçalves Caiado de Acioli - portanto, devia saber melhor que ninguém que ofender uma autoridade é crime. O outro detalhe: Lewandowski fez o que não somente ele como outro cidadão qualquer poderia fazer: chamou a polícia.

No apagar das luzes do governo Michel Temer, o Conselho Nacional de Educação aprovou nesta terça-feira, dia 4, a Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio, com 18 votos a favor e duas abstenções. Falta apenas a homologação do documento para que ele passe a ser a referência para os currículos de todas as escolas públicas e privadas do país. Com caráter normativo, não precisa de aprovação pelo presidente da República nem do Congresso Nacional para entrar em vigor.

A BNCC estabelece o conteúdo mínimo a ser estudado no ensino médio em todo o Brasil, com adaptações para a realidade de cada lugar, a partir de 2022. Mexe numa área sensível para o próximo governo e o país, que tem na qualidade do ensino um dos principais obstáculos para o desenvolvimento.