28 Nov 2021

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta quinta-feira que uma testemunha do assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, no Rio de Janeiro, com seu motorista, Anderson Gomes, teria identificado os autores do crime.

Segund Jungman, a testemunha apontou que no carro dos assassinos havia um policial militar do 16o. Batalhão, de Olaria, e um ex-PM do Complexo da Maré, além de dois outros homens, ainda não identificados.

Segundo a mesma testemunha, o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM Orlando Oliveira Araújo, o Orlando Curicica, teriam sido os mandantes do crime. "Tínhamos carinho um pelo outro", afirmou Siciliano em entrevista coletiva, na qual negou ter participação no crime.

"Etapa final"

Curicica, acusado de fazer parte das milícias cariocas, está preso - e também negou participação no crime, em carta  enviada do presídio ao jornal carioca O Dia.

Segundo o jornal O Globo, a testemunha, não identificada, mas mencionada por Curicica em sua carta, trabalhava para a milícia dele e fez a delação em troca de proteção.

"Estes e todos os outros estão sendo investigados e a investigação do caso Marielle está na etapa final", afirmou Jungmann ao UOL. 

Motivação

O ex-miliciano afirmou não conhecer Siciliano e classificou o crime de "bárbaro".  Segundo a tetemunha de acusação, outros dois homens já teriam sido mortos para encobrir o crime:  Carlos Alexandre Pereira Maria, 37 ano, o "Cabeça", e Anderson Claudio da Silva, de 48.

Ela também afirmou que a motivação do crime seria um confronto enre Siciliano e Marielle por conta da expansa das ações comunitárias promovidas por ela na zona oeste e o crescimento de sua influência em zonas de interesse da milícia.

Em uma operação iniciada na quinta-feira, a Polícia Federal começou a prender 53 integrantes da maior quadrilha de doleiros do país, chefiada por Dario Messer, que seria o intermediário dos depósitos de propina do ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, entre outros crimes. Segundo as investigações da Lava Jato no Rio, Messer montou o sistema que chamava de “Bankdrop”, pelo qual foram movimentados desde a década de 1980 mais US$ 1,6 bilhão com o uso de 3 mil empresas offshore e contas em 52 países.

Nesta quinta-feira, com o voto de onze dos onze ministros, o Supremo Tribunal Federal reafirmou a manutenção do foro privilegiado dos políticos, juízes e outras autoridades republicanas, com a exceção de crimes comuns, sem relação com o exercício do cargo, de acordo com o texto constitucional. "Como dizia [o ex-ministro] Roberto Campos, é muito fácil enganar o povo", disse o ministro Gilmar Mendes. "E nem é proibido enganar o povo. Mas é cruel enganar o povo. Não estamos fazendo nada para o sistema evoluir. Estamos fazendo uma grande bagunça." Houve apenas uma mudança expressiva: o fim do trampolim que permitia aos políticos deixar o cargo apenas para ver seu processo reiniciado do zero na Justiça comum.

A Fifa comunicou nesta sexta-feira o banimento do futebol do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, afastado por suspeitas de corrupção. Ele terá ainda de pagar uma multa à entidade de 3,5 milhões de reais por violação do código de ética da entidade.

Nos últimos tempos, a Justiça brasileira tem colaborado com a operação Lava Jato, o que inclui uma inibição informal à máquina protelatória judicial, utilizada pelos advogados para retardar a execução da pena de seus clientes. Um exemplo é o Tribunal Regional Federal da 4a Região, em Porto Alegre, que não apenas tem confirmado as sentenças em primeira instância da Lava Jato como aumentado penas. Foi o que aconteceu com o ex-presidente Lula, que teve a pena reformada de 9 para 12 anos de prisão, e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que no TRF-4 passou de 20 para 30 anos de reclusão.Com isso, passa a haver a preocupação, para quem entra com recurso, de que, se perder, a pena não será cumprida como existe o risco de ser aumentada - um fator inibidor da verdadeira indústria do recurso, que se tornou um desvio dos princípios da Constituição.

O governo extinguiu com a reforma trabalhista a obrigatoridade do imposto sindical, praticamente decretando os sindicatos à morte. Porém, ele está voltando aos poucos, por meio de embargos na Justiça.

A procuradora geral da República, Raquel Dodge, denunciou o ex-deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PSL, por crime de racismo junto ao Supremo Tribunal Federal.

As mais recentes investigações da Lava Jato agora apontam para os fundos de pensão das estatais, a gorda senhora cuja função é pagar aposentadorias aos funcionários públicos que, assim, tiveram seu dinheiro saqueado na pirataria institucionalizada da política no Brasil. E mostram que o saque ao dinheiro dos aposentados se deu em consórcio entre o PT e o MDB, que, ao menos nessa área, agiam de fato como um governo só.

Na noite da segunda-feira, o futebol premiou os brasileiros com um vergonhoso espetáculo de antiesportividade, que se junta à degradação em um país já carimbado pela corrupção política e todo tipo de mau comportamento.

A prisão de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, na sexta-feira passada, mostra que as investigações da Polícia Federal agora miram o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador José Serra. Uma delação de Preto completaria a ligação entre os 110 milhões de reais encontrados em uma conta de Preto na Suíça com a operação da propina entre as empreiteiras e a Dersa para beneficiar o PSDB entre 2009 e 2012, nas gestões de Alckmin e depois Serra. Com isso a Lava Jato, que na semana anterior já havia preso para averiguações colaboradores diretos do presidente Michel Temer pelo caso Rodrimar, vai deixando de focar o PT para enfrentar verdadeiramente a corrupção sistêmica na política brasileira.