21 Jul 2019

Tem circulado pelo WhasApp um texto atribuído ao editor Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, incentivando as pessoas a comprarem livros neste Natal, por "amor ao livro", e para ajudar o mercado a reerguer-se, após o pedido de concordata das livrarias Cultura e Saraiva. Responsáveis por quase metade do faturamento do mercado, sua inadimplência ameaça agora levar de roldão também as editoras brasileiras.

Num planeta com recursos cada vez mais escassos, do combustível à água potável, uma população crescente e a exposição diária pelo meio digital ao conflito, na forma de um entrechoque de ideias, identidades e interesses, a administração da intolerância se tornou uma questão essencial das políticas públicas em escala global, tanto quanto o meio ambiente e o avanço da economia também sob a influência dos mercados digitais.

A Marinha divulgou nesta semana os quatro finalistas de uma concorrência para a construção de quatros corvetas da chamada classe Tamandaré, parte de um programa naval para avançar numa corrida essencial para a segurança nacional e os interesses econômicos do país: a ocupação do Atlântico Sul, onde está o petróleo do Pré Sal e uma nova fronteira da riqueza mundial, com jazidas submersas de minerais essenciais à indústria digital e uma vasta área pesqueira que vai até o cada vez mais cobiçado continente antártico.

Ao entrar na Escola de Sociologia e Política, em São Paulo, a turma de 1964-1967 não imaginava que, a partir do golpe militar, veria seu campo de estudos se transformar imediatamente em militância e experiência prática, na luta contra a ditadura militar que se estenderia pelos 30 anos seguintes, e deixaria entre eles presos políticos, alguns deles torturados, mortos e dispersados pelas circunstâncias da História, que se sobrepuseram à simples vida estudantil.

No sábado passado, os remanescentes da "Turma de 64", celebrizada pela resistência e pelos confrontos com os estudantes de direita do Mackenzie, que tinham entre eles como divisa apenas o espaço entre as calçadas da rua Maria Antônia, reuniram-se para comemorar seu Jubileu em circunstâncias que lembraram o passado.

Diante da radical polarização da esquerda e direita na corrida eleitoral, que colocou de um lado o projeto político do PT e de outro reação com Jair Bolsonaro, duas frentes antagônicas que se digladiam no território democrático da eleição, mas com pendores a substituí-lo pela violência e o autoritarismo, os remanescentes da Escola decidiram lançar um Manifesto à Nação, que A República reproduz aqui na íntegra.

Para aqueles que se perguntam por que o Brasil vive emperrado em velhos males, da miséria crônica à corrupção deslavada, acaba de chegar às livrarias uma obra chave, tão clara quanto por vezes implacável: "A Criação do Brasil - 1600-1700", do jornalista e cientista social Thales Guaracy, lançado pela editora Planeta.

O livro é sequência de "A Conquista do Brasil - 1500-1700", que trata da ocupação da costa brasileira, mas uma leitura não depende da outra. "A Criação do Brasil" avança pelo segundo século brasileiro, no qual Guaracy narra a ocupação colonialista continente adentro - um período da mais bárbara violência e de conflitos políticos e religiosos profundos. Deles, emerge a sociedade brasileira e, em particular, a nossa elite dirigente. Com isso, "A Criação do Brasil" levanta a história por vezes terrível da nossa formação - e a chave para mudarmos o presente.

O grupo Tortura Nunca Mais realizou um protesto nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, contra o lançamento de um livro: "Borboletas e Lobisomens", do jornalista e historiador Hugo Studart. Cerca de 20 pessoas formaram um cordão diante da livraria Argumento, no Rio de Janeiro, em ato de "escracho", assediando os que entravam para o evento de lançamento, aos gritos de "fascistas". À frente do protesto, estava Elisabeth Silveira e Silva, cujo irmão, Luis René Silveira e Silva, o Duda, segundo o livro, é um dos sete "mortos-vivos" da Guerrilha do Araguaia, dados como desaparecidos, mas que na realidade não estariam mortos - o governo na ditadura militar lhes deu nova identidade, como parte do acordo de delação de companheiros da guerrilha. Elisabeth é vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, como outras famílias vitimadas pela ditadura recebe indenização por seu desaparecimento e não admite que o irmão tenha sobrevivido. 

A história dos mortos-vivos do Araguaia está no Capítulo Sonata para Carmen, que A República reproduz aqui, com exclusividade. 

Num momento de crise econômica, de preocupação com os rumos do país em ano eleitoral decisivo e que pede austeridade no combalido Estado brasileiro, o Supremo Tribunal Federal, cuja presidência acaba de ir das mãos de Cármen Lúcia para Dias Toffoli, resolveu ao menos sua própria situação. Em votação nesta quarta-feira, decidiu por um aumento dos seus próprios salários em 16,38%, a ser incluído no orçamento da União no ano que vem. O teto salarial do funcionalismo, de um ministro do STF, subirá de 33,7 para 39,3 mil reais.

O auto-aumento tem de ser ratificado pelo Congresso, mas não deve haver dificuldades. O teto do Judiciário pela lei é  referência para todo o funcionalismo público, de forma que a decisão dos ministros do Tribunal permite que também senadores e deputados aumentem os próprios salários - e gera uma reação em cadeia por todo o funcionalismo público federal que neste momento, segundo admitiu o ministro Celso de Mello, é "trágica". Cálculo preliminar das consultorias de Orçameto da Câmara e do Senado calcularam em 4 bilhões de reais ao ano o custo do efeito cascata.

A operação das plataformas de petróleo do Pré-Sal, anunciado como o salto do Brasil para o futuro, chamou a atenção sobre a importância estratégica do Atlântico Sul para o país. Cientistas, pesquisadores e outros especialistas alertam para a necessidade de uma maior presença brasileira em uma parte do oceano que já tem forte influência do Reino Unido e atrai o interesse e a preocupação dos Estados Unidos, da Índia e da China. O grande desafio é a ocupação do mar profundo, nova fronteira da riqueza global, que tem despertado cada vez mais o interesse das nações como área estratégica. 

O livro Borboletas e Lobisomens, do jornalista e historiador Hugo Studart, revela que a ex-guerrilheira do Araguaia Criméia Almeida manteve por pelo menos três anos um romance secreto com um sargento do Exército que chefiava uma equipes de interrogatório e de execução de prisioneiros políticos. 

No final da década de 1640, o padre Antônio Vieira, pregador e assessor pessoal do rei Dom João IV, foi enviado à Holanda com uma missão ultrassecreta: com a ajuda de Lopo Ramires, tio de Jerônimo Nunes, dom Duarte Nuno da Costa e seu filho Jerônimo Nunes, ricos negociantes exilados na comunidade judaico-portuguesa de Amsterdã, comprou em segredo uma fragata holandesa, do mercador Jeremias van Collen, de Amsterdã. 

Era segredo, porque se tratava de tecnologia militar do inimigo. Levada a um novo estaleiro no Rio de Janeiro para ser copiada em série, a fragata "Esperança" resolvia um problema essencial do renascente império luso-brasileiro: por décadas, Portugal e Espanha tinham perdido a hegemonia no Atlântico, com seus pesados galeões, que, frente aos menores, leves e ágeis barcos holandeses e ingleses, já tinham sofrido vexaminosas derrotas como a da antes "Invencível Armada". E impunham outras, com a esquadra de Maurício de Nassau no Nordeste e corsários que infestavam as águas entre o Novo Mundo e a Europa.

Passados quase quatrocentos anos, o problema do Brasil no oceano permanece de certa forma o mesmo. Durante o governo Lula, na passagem do professor de Harvard Mangabeira Unger pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, em 2008, surgiu um Plano Estratégico para reaparelhar a frota brasileira, diante da necessidade de aumentar e firmar a presença do país no Atlântico Sul. E os desafios não são menores que os do passado.