25 Mai 2019

O barbarismo no massacre da escola em Suzano

  Qua, 13-Mar-2019
Guilherme atira: assassinato e suicídio Guilherme atira: assassinato e suicídio

Dois atiradores encapuzados invadiram na manhã desta quarta-feira uma escola em Suzano, na Grande São Paulo, mataram sete crianças e um funcionário, além de fazer uma dezena de feridos. Depois, suicidaram-se, deixando atrás de si o espectro da insanidade e um país em comoção diante do mais puro barbarismo.

A Escola Estadual Professor Raul Brasil virou cenário de um filme de terror. Dez feridos foram atendidos internados no Hospital Santa Maria, a 300 metros da unidade de ensino, e na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, também em Suzano.

Os dois atiradores foram identificados como Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, de 17. A polícia investiga a possibilidade de que um dos dois tenha atirado no outro antes de se suicidar.

Ambos são ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil,  na rua Otávio Miguel da Silva, no bairro Parque Suzano, que tem 105 funcionários e 1.067 alunos do 5º a ano ao ensino médio.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o interior da escola após o massacre, com quatro corpos caídos e alunos correndo e gritando. Você pode vê-lo aqui

Fotos mostram também os corpos dos dois atiradores.Um deles, Guilherme, usava uma máscara de caveira, boné e roupas pretas, cinto e luvas. Portavam um revólver calibre 38 e uma besta - disparador de flechas vendido em lojas esportivas. Pouco antes do ataque, Guilherme publicou fotos no Facebook com a máscara e a arma e mostrando o dedo médio.

Na Igreja Messiânica Mundial, que fica do outro lado da rua, um funcionário, Marcos Filho, relatou ao UOL que ouviu tiros após as 9h, hora do recreio. Uma gravação de uma câmera de segurança mostra os alunos fugindo para a calçada em desespero às 9:45.

Logo a frente da escola foi tomada pela polícia, bombeiros, ambulâncias, helicópteros e uma aglomeração de pais e parentes querendo saber dos alunos.

Coquetéis molotov

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), abandonou sua agenda para ir ao local vistoriar o trabalho de resgate e atendimento aos feridos, ao lado do secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, e o secretário de Segurança Pública de São Paulo, general João Camilo Pires de Campos. 

"A cena mais triste que eu já assisti em toda a minha vida", disse Dória. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, ligou ao governador oferecendo assistência nas investigações.

Equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais, da Polícia Militar de São Paulo, iniciaram uma busca por explosivos dentro da escola, por conta de uma caixalevada pelos atiradores, que aparentava ser uma bomba, encontrada junto com garrafas montadas como coquetéis molotov.

De acordo com investigações preliminares, a dupla planejava o ataque há um ano e meio e conversaram sobre o assunto por meio de mensagens de texto.

Tiros no tio

Antes de ir à escola, a dupla passou pela loja de carros do tio de Guilherme, Jorge Antonio de Moraes, a "Jorginho Veículos", que fica a uma quadra da escola, e o sobrinho o matou dentro de seu escritório com dez tiros.

A Polícia Civil suspeita que Jorge tenha descoberto o plano da dupla e por isso teria sido o primeiro a ser assassinado. Levado ao Hospital das Clínicas ainda com vida, Jorge não resistiu aos ferimentos.

A polícia acrescentou que as armas usadas no crime foram compradas por Guilherme, com o dinheiro que recebeu de um carrinho de cachorro-quente onde trabalhava.

Os atiradores chegaram à escola num carro alugado por Luiz Henrique, um Onyx branco. Dentro dele, foram encontrados cadernos escolares com desenhos que estão sendo analisados pelos investigadores.

Segundo o secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares da Silva, Guilherme foi aluno da escola por dois anos, no primeiro e segundo ano do ensino médio. Era considerado "evadido", pois abandonou a escola.

Silva afirmou que Guilherme foi à escola com a justificativa de que iria à secretaria acertar seu retorno às aulas. "As informações que a gente tem são de que a escola estava aberta para receber um aluno que queria voltar a estudar", disse.

À BandNews, a mãe de Guilherme, Tatiana Taucci, 35 anos, disse que o filho tinha abandonado os estudos por estar sofrendo bullying. "Era uma criança", afirmou.

Para Folha de S. Paulo, declarou que Guilherme, mostrou-se ainda incrédula com o que aocnteceu, pis não via sinais de que o filho poderia chegar àquele ponto. "Perdi meu filho e meu, não nem nem para acreditar...Minha vida acabou", disse ela.

Por mais que se tente encontrar explicações e a motivação para  que aconteceu, o que fica da tragédia é apenas a revolta contra o eterno barbarismo, na sua versão mais contemporânea.