19 Nov 2019

Navio grego é suspeito de derramar petróleo no NE

  Sex, 01-Nov-2019

O juiz Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal de Natal, emitiu um mandado de busca e apreensão em duas empresas no Brasil por conta da investigação que apura se o petroleiro Bouboulina derramou o óleo que contaminou praias em todo o Nordeste.

As empresas Lachmann e Witt O'Brien's possuem vínculo com a Delta Tankers, dona do Boubulina, que tem bandeira grega. Caso seja confirmada a origem do petróleo derramado, cairão por terra as hipóteses precoces do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Riccardo Salles, que atribuiram ao governo venezuelano e ao Greenpeace, respectivamente, uma ação ambiental criminosa proposital.

Tanto Bolsonaro quanto Salles se precipitaram em acusações porque, apesar de estarem no governo, não se comportam como autoridades. Preferem jogar qualquer cois =a negativa que acontece incontinenti em seus adversários políticos e ideológicos, o que., se pode ser entendido durante uma campan ha política, no governo se torna leviandade.

A Lachmann representou a Delta no Brasil este ano nos meses de março, junho e setembro de 2019, e a Witt O'Brien's, consultoria de gerenciamento de riscos, foi apontada como "indivíduo qualificado" relacionada a Delta Tankers. Porém, a própria Delta até esta sexta-feira não tinha sido procurada diretamente. 

A Polícia Federal pediu a ajuda de cinco países nas investigações. Colocaram o navio grego como suspeito principal pelo seu trajeto e a data do derramamento, mas ainda não há pista sobre qual teria sido a causa.

"Nós temos o local, a data e indícios suficientes de autoria. Faltam ainda detalhes das circunstâncias", disse o delegado federal Agostinho Cascardo, um dos responsáveis pela investigação no Rio Grande do Norte. "A investigação está em andamento para saber se foi um vazamento ou derramamento proposital."

A investigação apurou eu o derramamento começou a 700 km da costa brasileira, entre 28 e 29 de julho, com base na análise de 826 imagens de satélite. A embarcação partiu de San Jose, Venezuela, em 18 de julho, segundo a PF. estaria seguindo para Singapura, pelo oceano Atlântico, com escala na África do Sul. O sistema de rastreamento estava funcionando.

A Delta Tankers emitiu uma nota segundo a qual o Boubulina partiu no dia 19 e chegou a Melaka, na Malásia, "com toda a sua carga, sem perdas". Segundo a empresa, em nota, a viagem não teve nenhuma "intercorrência". Ela se dispôs a colaborar na investigação, "se contatada", de acordo com a agência Reuters.