17 Out 2019

E o Leão vai para a jaula

  Qui, 03-Out-2019
Canal, ao centro: extorsão Canal, ao centro: extorsão

A Operação Armadeira da Polícia Federal, que prendeu na quinta-feira doze auditores e analistas da Receita Federal, expôs à luz do sol uma rede de extorsão a investigados da Operação Lava Jato. Com isso, o pessoal do Leão, como é conhecida a Receita, acabou indo para a jaula. O resultado disso, por um lado, é a demonstração da disposição da PF em limpar a área. Por outro, mostra que ninguém aprendeu nada com a Lava Jato, e que há corrupção capaz de extorquir a própria corrupção.

De acordo com as investigações, os auditores, baseados no Ri de Janeiro, chantageavam delatores e investigados da Lava Jato para cancelar ou anular multas por sonegação fiscal. O nome mais graúdo do grupo é o do auditor fiscal Marco Aurélio Canal, supervisor de programação da Receita Federal na Lava Jato, apontado como o líder da quadrilha.

Os auditores apuravam os problemas fiscais dos crimes investigados na Lava Jato. Porém, sua atuação teria começado antes, seggundo a Procuradoria. Canal teria cobrado R$ 4 milhões de um ex-executivo da (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) para evitar a autuação da empresa.

"Canal é detentor de cargo com acesso a informações sensíveis e relevantes acerca das investigações da Operação Lava Jato e detém conhecimento amplo de como funcionam os órgãos de controle do Estado, ocupando relevante papel no âmbito da organização criminosa", afirmou em nota o Ministério Público do Rio de Janeiro.

Ele entrou na Receita Federal em 5 de janeiro de 1995 por concurso público. Tem salário de R$ 21 mil por mês, segundo o Portal da Transparência. Além da extorsão, o grupo criou uma rede de lavagem de dinheiro para filtrar o dinheiro da propina.

Os agentes cumprem nove mandados de prisão preventiva (sem prazo), cinco de prisão temporária (cinco dias) e outros 39 de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro. Estão na lista pessoas que pertencem à rede de lavagem do dinheiro, além de servidores da Receita.

A notícia caiu mal para a instituição. A corregedoria foi acionada para fazer, tardiamente, sua própria apuração e instaurar o processo administrativo disciplinar. Canal alega inocência. "Trata-se de mais uma prisão ilegal praticada no âmbito da denominada operação Lava Jato, eis que de viés exclusivamente político, atribuindo a Marco Canal responsabilidades e condutas estranhas à sua atribuição funcional e pautada exclusivamente em supostas informações obtidas através de 'ouvi dizer' de delatores", afirmou seu advogado, Fernando Martins.

Agora, a Lava Jato é que é a culpada de tudo. Da perspectiva de corruptos, fraudadores e prevaricadores, certamente, é.