17 Out 2019

CPI do BNDES sugere indiciar 73, incluindo Lula e Dilma

  Qua, 09-Out-2019
Cortes: instalação do óbvio Cortes: instalação do óbvio

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do BNDES na Câmara Federal propõe o indiciamentos de 73 pessoas, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e outras 71 pessoas por concessão de empréstimos irregulares no banco. O relatório tem de ser votado no plenário da comissão para sua aprovação.

A CPI levou 200 dias para concluir seu trabalho. 

Encontrou irregularidades no financiamento de obras na Venezuela, em Cuba, em Moçambique e outros países. Dilma e Lula teriam pressionado pela concessão de empréstimos. As obras, realizadas sobretudo pela Odebrecht, têm sido investigadas também em países como o Peru, onde foi instalada uma Lava Jato peruana.

Em das CPIs anteriores, o plenário acabou rejeitando as denúncias, com reclamações por falta de acesso aos dados do banco. A conclusão se baseada em dados do Tribunal de Contas.

O relatório, coordenado pelo deputado Antineu Cortes (PL-RJ), sugere que a comissão peça a anulação dos acordos de delação dos empresários Joesley Batista, Wesley Mendonça Batista e do ex-diretor da JBS Ricardo Saud por "omissão" e "falta com a verdade" em seus depoimentos à Justiça. Espera ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) reveja o acordo de leniência firmado em 5 de junho de 2017 com a J&F Investimentos S.A., holding da JBS.

O documento sugere ainda obviedades, como a criação de uma corregedoria-geral no BNDES, mudanças administrativas para dificultar a corrupção e a contratação de auditoria externa para o financiamento à exportação de bens e serviços de engenharia.

 

Como aconteceu em outras áreas da administração, como nas tragédias de Brumadinho e Mariana, no Brasil é assim: o óbvio só é feito depois do desastre.