2 Jul 2020

Com Educação, Bolsonaro coloca 11o. ministro militar

  Qui, 25-Jun-2020
Decotelli: gesto de paz" Decotelli: gesto de paz"

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Carlos Decotelli, de 67 anos, com o novo ministro da Educação.

Decotelli ocupa a vaga deixada por Abraham Weintraub, que transformou a pasta num trampolim ideológico e acabou saindo do país, acusado de fugir da Justiça, por ser investigado devido às ofensas proferidas contra ministros do Supremo Tribunal Federal e sua participação em manifestações contra a instituição.

Assim, Bolsonaro buscou uma saída interna, maneira de evitar recusas para um cargo que se tornou ponto sensível do governo.

Como outras soluções internas do presidente, Decotelli é militar, oficial da reserva da Marinha, além de "bacharel em Ciências Econômicas pela UERJ, Mestre pela FGV, Doutor pela Universidade de Rosário, Argentina e Pós-Doutor pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha", como lembrou o presidente em seu discurso.

Com a nomeação, ele será o 11º ministro militar do atual governo - e o primeiro negro. Seu nome foi sugerido pela cúpula militar e teria contado com apoio do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Os militares se preocupavam com a possibilidade de Bolsonaro escolher outra bomba relógio de cunho ideológico, no estilo de Weintraub.

Decotelli está longe de ser mais um dos "alunos" de Olavo de Carvalho que se espalharam pela Educação. está com Bolsonaro desde a transição de governo, mas é conciliador e moderado. Assumiu o FNDE de fevereiro de 2019 a agosto do ano passado.

Segundo colaboradores próximos de Bolsonaro, a nomeação do militar teria sido um "gesto de paz". O presidente virou "Bolsonaro paz e amor" desde que as investigações sobre as relações dos negócios familiares com as milícias cariocas vieram à tona, apertando o cerco sobretudo sobre seu filho Flávio. Agora, estaria querendo diálogo com o STF e o Congresso. Para quem se acostumou à ciclotimia do presidente, deve ser temporário.

Bolsonaro havia sondado Renato Feder, secretário de Educação do Paraná, com quem se reuniu por duas vezes. Porém, acabou por descartá-lo, incluindo pelo fato de que ele foi um dos doadores da campanha de João Doria ao governo de São Paulo em 2018.

Segue o jogo.