6 Jun 2020

Com 146 mil novos casos, Brasil é o novo "epicentro" do Covid

  Ter, 19-Mai-2020
Metrô em SP: contaminação ainda alta Metrô em SP: contaminação ainda alta

Com 146,4 mil novos casos do coronavírus em duas semanas, o Brasil se tronou o segundo país onde a pandemia mais se espalhou no mundo, depois dos Estados Unidos, com 327 mil casos, e á frente da Rússia, com 145,4 mil casos, de acordo com o Centro Europeu para a Prevenção e Controle Doenças da União Europeia. A Organização das Nações Unidas considera o país o "novo epicentro" da pandemia, pelo fato de que países europeus já estão na curva descendente das contaminações e, no trio que hoje encabeça a expansão do vírus, é onde a contaminação cresce mais rápido, associada à pobreza.

Nas últimas duas semanas, o Brasil respondeu por 10% dos 1,2 milhão de casos oficiais de contaminação pelo coronavírus no mundo. No total, foram registrados no país 254 mil casos. Nos Estados Unidos, os infectados com teste positivo somam 1,5 milhão de pessoas.

Mesmo países que já estão há mais tempo realizando a política de isolametno não conseguiram elimianr completamente a contaminação. 

No Reino Unido, foram 55 mil novos casos em duas semanas. Na Índia, 54 mil.

Escalada da miséria

A ONU manifestou sua preocupação com a escalada da miséria, decorrente da paralisação econômica. "Diante do aumento da pobreza e da miséria, alguns não têm outra opção senão a de vender mercadorias nas ruas para tentar sustentar suas famílias", afirmou Shabia manto, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. " Isso não só os expõe ao risco de infecção, mas também à estigmatização e discriminação pela percepção de incapacidade de cumprir com medidas de isolamento e distanciamento físico."

A ONU tem procurado contato com os governos nacionais para colaborar com a implantação de medidas de prevenção e assistência contra o Covid-19 em áreas mais pobres ou remotas, incluindo as reservas indígenas.

"Novas estruturas, incluindo abrigos melhorados, instalações de atendimento e isolamento, bem como sistemas de alerta precoce, também foram implantadas para responder à COVID-19 entre indígenas, venezuelanos deslocados e seus anfitriões", afirma Manta.

Com a difusão das medidas de prevenção da contaminação, o índice de contágio em todo o mundo caíram, mas ainda é considerado alto no Brasil. 

Um doente passa para três

O físico nuclear Rubens Lichtenthäler Filho, professor da USP, e seu filho, Daniel Lichtenthäler, realizaram um estudo sobre a velocidade de contaminação do coronavírus no Brasil, com base nos registros oficiais do Ministério da Saúde.

Por essa estimativa, em 26 de fevereiro, quando surgiu o primeiro caso, cada pessoa transmitia a doença em média para outras 3,5. Em 23 de março, no auge do período de isolamento, essa média caiu para 1,9. Hoje, o índice é de 1,4. Isso significa que, em média, cada infectado transmite a doença para outras três pessoas.

Fica claro pelo estudo que a redução da propagação da doença se deve ao "impacto de medidas progressivas de distanciamento social ao longo do tempo", segundo Daniel, em entrevista ao jornal O Globo.

O maior problema, agora, é não se saber ao certo qual a parcela da população que já teve contato com o vírus e ficou imunizada. Estudos nesse sentido ainda estão em andamento. É difícil quantificar quanta gente ainda está sujeita a adoecer - incluindo a parcela de casos mais graves - também por conta da subnotificação.

Com isso, a maior parte dos municípios mantém a política de isolamento. Nesta terça-feira, a prefeitura de São Paulo, graças a uma lei aprovada nesta segunda feira (18) pela Câmara Municipal, anunciou que antecipará feriados como o de Corpus Christi e o dia da Consciência Negra para esta quinta-feira.

O governador João Doria deve fazer o mesmo: quer antecipar o feriado estadual de 9 de julho, que lembra a Revolução Constitucionalista, para a próxima segunda-feira (25). Dessa forma, a capital terá um feriadão de seis dias, de forma a manter as pessoas em casa.

Seis hospitais municipais da capital paulista estão com os leitos de UTI lotados, segundo o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido: Cidade Tiradentes, Mooca, Jabaquara, Itaquera, Vila Mariana e Parelheiros.

Sem lockdown

Em toda a rede municiapl, 91% dos leitos de terapia intensiva estão lotados, o que coloca São Paulo mais perto de um lockdown total que da flexibilização.

O prefeito Bruno Covas, porém, acredita que o lockdown total seja inviável, sobretudo sem apoio das cidades vizinhas que forma a região metropolitana da Grande São Paulo.

"Só de ruas que começam na cidade de São Paulo e terminam em outra cidade são 1.742", disse ele. "Além disso, a cidade não tem um policiamento que garanta a efetividade lockdown."

Os esforços seguem mais na área do atendimento de saúde pública. A prefeitura contratou mais 100 leitos de UTI da rede privada. No total, hospitais privados, que não tiveram a demanda esperada de coronavírus, repassaram 300 leitos para a rede de saúde pública.

Até o fim do mês, o estado deve receber até o final do mês 2 mil respiradores, com prioridade para a capital, onde está a maior concentração de casos. Apesar da queda no tráfego, o rodízio de veículos foi reimplantado. Parece uma medida inócua, mas o prefeito faz tudo o que tem à mão.