17 Jun 2019

Caso Neymar vira um pesadelo surrealista

  Seg, 10-Jun-2019
Najila: "outros crimes" Najila: "outros crimes"

Desde que veio à tona a denúncia de estupro contra Neymar Júnior, o caso ganhou o contorno de pesadelo, com toques surrealistas. O novelo desfiado após a acusação, feita por Najila Trindade, que se ofereceu para ir ao encontro do jogador num hotel de Paris, vai se estendendo até um ponto capaz de enrolar todos os seus envolvidos.

A primeira vítima a se enrolar nesse novelo é a própria Najila, que vai se revelando uma personagem controversa e complicada. 

Em entrevista ao Domingo Espetacular, da TV Record, disse que depois do estupro passou "a ser vítima de outros crimes". Afirma que seu apartamento foi arrombado para o roubo de um tablet no qual estariam os vídeos originais de seus encontros com Neymar no hotel de Paris, onde o momento amoroso consentido e planejado com antecedência teria virado estupro.

Najila afirma ainda que passou a ser perseguida por gente ligada a Neymar, e que estaria com medo de morrer. Já brigou com os primeiros advogados que constituiu, e as mensagens de WhatsApp trocadas com um deles mostram uma pessoa obcecada por vingança rápida. Depois que Najila compara Neymar ao ex-goleiro do Flamengo, Bruno, condenado por assassinar a mulher, e acusa o próprio advogado de estar sendo subornado pelo pai de Neymar, o profissional toma a decisão de desligar-se de Najila.

"As pessoas querem tirar proveito da minha dor, ficam me seguindo, seguindo a minha família", disse Najila à Record. "Eu venho sofrendo mais crimes, eu venho sofrendo... Invadiram meu apartamento, estão me caluniando e inventando coisas sobre mim."

Mãe de um menino de cinco anos, Najila afirma que a notícia do roubo de seu tablet foi dada pelo ex-marido, que teria ido ao seu apartamento buscar algumas coisas - mas a polícia não viu sinais de arrombamento. A moça prometeu entregar a íntegra dos vídeos que fez circular pela internet à delegacia da Mulher, onde registrou queixa, mas até agora não fez, alegando o sumiço do tablet.

Najila se enrolou também pelo fato de que acreditava que seu nome permaneceria em sigilo. Achou que poderia expor Neymar, mas seria protegida pelo anonimato. Nomes de possíveis vítimas envolvidas em casos de crimes sexuais são protegidos por lei, e sua divulgação é crime.

"Eu não pensei na repercussão porque acreditei na lei", disse ela. "Foi sigilo, eu confiei na lei, apenas isso. Eu jamais pensei que fosse parar na internet, em estar exposta lá. Nunca imaginei, até porque isso é um crime."

"Meu apartamento foi arrombado, tem marcas", prosseguiu. "Ninguém sabe e ninguém viu, não tem câmera de segurança. Um complô contra mim. Todas as coisas de valor... tudo sumiu. Eu não sou de ferro, isso foi o máximo, o que mais querem de mim? Eu já estou com trauma suficiente. Eu quero ficar em paz."

O jogador foi para o Rio de Janeiro, dispensado da Copa América depois de romper o ligamento do pé direito num jogo amistoso contra o Catar. Para ele, o encontro com Najila, que não durou mais que 48 minutos, tem rendido bastante confusão, sobretudo para alguém que acreditava estar fazendo algo normal.

A Mastercard suspendeu a veiculação de uma campanha na qual ele era o protagonista, programada para veiculação durante a Copa América. “Nós temos uma série de ativações de marketing planejadas para o decorrer do campeonato que são focadas em promover o uso do pagamento por aproximação”, informou a empresa, em nota. "Tomamos a decisão de parar aquelas ativações que incluem o embaixador da marca até que o assunto seja resolvido."

Também a Nike, uma das patrocinadoras do jogador, afirmou que aguarda o desfecho das investigações para decidir o que fazer com ele. "Seguimos acompanhando de perto a situação”, declarou a fornecedora de material esportivo.