18 Out 2021

Bolsonaro leva discórdia ao santuário

  Qua, 13-Out-2021
O presidente: dividindo a fé O presidente: dividindo a fé

O presidente Jair Bolsonaro colhe maus resultados em diversas áreas - na economia, com inflação de 10% ao ano e desemprego recorde, nas pesquisas de opinião, onde a avaliação do governi piora rapidamente, e na política, assediado pela Justiça e encilhado pelo Congresso. O presidente só vai bem na área em que atua com eficiência: a divisão da sociedade, levando a discórdia aondevai. Foi o que ele fez nesta terça-feira, feriado de Nossa Senhora de Aparecida, símbolo de união e de fé brasileira, quando ele foi a Aparecida, levando consigo o pomo da discórdia.

Antes mesmo da sua chegada, num claro desconforto com a tentativa do presidente de capitalizar politicamente o dia santo, o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, criticou bandeiras e o comportamento dos bolsonaristas na principal celebração do Santuário.

Falou contra o armamento da população, o discurso de ódio, as notícias falsas que o governo espalha a partir do próprio Bolsonaro - e defendeu a ciência e a vacinação contra o coronavírus. "Pátria amada não pode ser pátria armada", declarou.

Criticou ainda a "criança-fuzil" - referência a evento na quinta-feira dia 30 de setembro, em Belo Horizonte com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no qual Bolsonaro recebeu no palco uma criança de seis anos com uma arma de brinquedo - simulou que atirava e carregou-a criança sobre os ombros.

Bolsonaro chegou no início da tarde, recebido ao sair do helicóptero por gritos de "mito", tanto quanto "fora, Bolsonaro". Todo o tempo estava cercado por seguranças com maletas utilizadas como escudo. Usou máscara para participar da cerimônia, dos ministros Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e João Roma (Cidadania).

Declarado ora evangélico, ora católico, Bolsonaro na missa fez a primeira leitura. Saiu sem falar com a imprensa.

A forte segurança, com a participação agentes da Polícia federal, da Polícia rodoviária e militares á paisana, mostrou um presidente com medo, atrás de popularidade. É o único presidente da República a apelar para Nossa Senhora Aparecida no 12 de outubro, de maneira a ganhar votos. Já havia estado lá em 2019 - em 2020 não houve cerimônia, por conta da pandemia.