17 Out 2019

Bolsonaro diz suspeitar de crime de Estado

  Qua, 09-Out-2019
A mancha, em Alagoas: óleo venezuelano A mancha, em Alagoas: óleo venezuelano

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não descarta uma ação criminosa no derramamento de petróleo na costa do Nordeste, que vai se revelando um desastre ambiental de grandes proporções. "Parece que o mais fácil, o que parece, é que criminosamente algo foi despejado lá", disse ele a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada. Investigações da Marinha e da Polícia Federal indicam que o óleo cru deve ter origem na Venezuela, o que seria, em caso proposital para prejudicar a imagem do Brasil na área ambiental como suspeita o presidente, um crime de Estado.

As manchas de petróleo se espalharam por mais de uma centena de pontos do litoral de nove estados do Nordeste. Ainda não é poss´vel dizer se a origem d óleo é a mesma em todos os lugares. Porém, já está descartada a hipótese de vazamento em navio ou plataforma brasileira.

Em nota, a Petrobras afirmou que a análise das amostras "atestou, por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrada não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia".

Os testes foram realizados nos laboratórios do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio. "Coletamos 23 amostras e nosso centro de pesquisas chegou à conclusão de que não se trata de nenhum óleo produzido e/ou comercializado pela Petrobras", disse o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, após audiência na Câmara.

Segundo ele, foram recolhidas 133 toneladas de óleo das praias. Ainda é possível que o vazamento tenha partido de um só petroleiro, mas ele teria que ter despejado toda a sua carga. Em nota, a Marinha afirma ter ter empenhado 1.583 militares, cinco navios e uma aeronave n monitoramento das manchas.

Prejuízo ambiental
O prejuízo ambiental pode ser amplo. Ambientalistas receiam que a mancha penetre nos rios, sobretudo o São Francisco. O trabalho de retirada do óleo da costa continua, assim como o monitoramento

"Sem dúvida é o maior desastre ambiental no litoral do Nordeste do Brasil", disse Flávio Lima, coordenador geral do Projeto Cetáceos da Costa Branca da Universidade Estadual de Rio Grande do Norte (UERN), que atende animais contaminados pelo óleo.

"Além do risco de contaminação para a megafauna marinha local, que envolve diversas espécies de aves, cetáceos e o peixe-boi marinho, espécie de mamífero marinho mais ameaçada de extinção do país, é preocupante a exposição da população e dos atores locais que utilizam as praias afetadas", afirmou.

De Estado, ou não, é um crime. E os autores têm de ser identificados.