3 Jun 2020

Não há nenhum indício de que o Brasil esteja saindo do pico pandêmico, mas o país entrou em acordo tácito para encerrar a experiência de semi-isolamento, volta aos poucos ao trabalho, com anuência da flexibilização em estados como São Paulo, e prepara-se para encarar o primeiro problema criado no vácuo deixado nas cidades: a tomada das ruas pelos militantes do presidente Jair Bolsonaro, clamando por uma intervenção militar. Em todo o país, depois de uma primeira manifestação em São Paulo, que juntou torcedores do Palmeiras e do Corinthians, rivais no esporte, e acabou com tiros de efeito moral da Polícia Militar, armam-se para o próximo domingo manifestações em todo o país contra o presidente, com vírus e tudo.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, gosta de falar - especialmente sobre assuntos fora de sua área ou que não lhe competem. Na já célebre reunião do governo em 22 de abril, disse que, por ele, "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". Chamado a depor pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news, nesta sexta-feira, dia 29, pela primeira vez calou-se. Preferiu nada responder.

A polícia prendeu em Belém do Pará, na última sexta-feira, um grupo de 95 peladeiros que desafiou o lockdown na cidade para jogar futebol.

Com 146,4 mil novos casos do coronavírus em duas semanas, o Brasil se tronou o segundo país onde a pandemia mais se espalhou no mundo, depois dos Estados Unidos, com 327 mil casos, e á frente da Rússia, com 145,4 mil casos, de acordo com o Centro Europeu para a Prevenção e Controle Doenças da União Europeia. A Organização das Nações Unidas considera o país o "novo epicentro" da pandemia, pelo fato de que países europeus já estão na curva descendente das contaminações e, no trio que hoje encabeça a expansão do vírus, é onde a contaminação cresce mais rápido, associada à pobreza.

O capitão de corveta e superintendente do Porto de Santos, Valter Barros Barbosa, 55, foi assassinado na noite de quarta-feira na rodovia Régis Bittencourt, na altura de Cajati, a 250 km de São Paulo. Sua mulher, que estava no carro, não foi ferida.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, cancelou a apresentação que faria nesta quarta-feira de seu plano com diretrizes de isolamento social para estados e municípios na pandemia do coronavírus. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) reprovaram o estudo e ele não viu condições de levar o projeto adiante.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concedeu uma liminar nesta terça-feira que suspendeu o novo rodízio de veículos na capital paulista, decretado pelo prefeito Bruno Covas. Estavam proibidos de circular carros com placar par em dia ímpar e vice-versa. A ideia era reduzir o tráfego como parte do esforço de isolamento social na pandemia do coronavírus.

Os números do Ministério da Saúde indicam que a pandemia do Covid-19 ainda está em fase ascendente no Brasil. Com 615 mortes registradas em 24 horas, de quinta para sexta-feira, e mais de 135 mil casos, o país contribuiu sozinho com 9,2% das mortes pelo vírus em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. A curva ainda está subindo e coloca as grandes cidades brasileiras mais perto do isolamento total do que da liberação.

Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez uma visita teatral ao Supremo Tribunal Federal, ao lado do ministro da economia Paulo Guedes e empresários preocupados com seus negócios. Pediu ao STF planejamento para a saída da pandemia - e foi lembrado pelo presidente do tribunal, Dias Toffoli, que esse papel é do Executivo. Enquanto isso, Belém e São Luís já adotaram o lockdown total. Outros municípios do Pará e do Maranhão também estão fechados, assim como Niterói, no Rio de Janeiro (leia aqui).

A líder técnica da Organização Mundial da Saúde, Maria van Kerkhove, afirmou em entrevista à BBC que pessoas recuperadas do Covid-19 não foram reinfectadas, após semanas.

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